Edgar Poe / Flickr

O amianto é um material cancerígeno que continua presente em muitas infraestruturas públicas e privadas em Portugal. Apesar disso, o país continua a importar milhares de toneladas.

O alerta parte da plataforma SOS-Amianto, criada pela Quercus, que refere que só em 2016 e 2017, foram importadas 53 mil toneladas de matérias perigosas — entre as quais o amianto. De acordo com o Público, neste mesmo período, 727 toneladas de resíduos com amianto foram enviadas para aterros.

“Muitas são as histórias para contar que demonstram que esta fibra afetou e continua a afetar muitas pessoas em Portugal”, escreveu a SOS-Amianto, num comunicado enviado à imprensa. Desde a sua criação, há um ano, a plataforma recebeu mais de 200 queixas a denunciar a presença de amianto em várias infraestruturas públicas e privadas.

“Não há um dia em que alguém não nos questione ou denuncie esta problemática”, lê-se no comunicado. Ainda há pelo menos 3730 edifícios públicos com este material cancerígeno por remover.

Fábricas abandonadas, coberturas de edifícios particulares, edifícios de escritórios, escolas, hospitais, teatros, bibliotecas, universidades e edifícios militares são algumas das infraestruturas cujo material ainda é utilizado, apesar dos constantes alertas para os problemas de saúde que provoca. Cancro do pulmão, cancro do ovário, cancro da laringe e cancro do estômago são as patologias mais comuns.

“A diversidade da presença de amianto em Portugal é uma certeza que temos que admitir de uma vez por todas”, realça Carmen Lima, coordenadora da plataforma SOS-Amianto. “Urge uma intervenção responsável e coordenada por parte de todos os intervenientes”.

A plataforma criada pela Quercus já se reuniu com todos os grupos com assento parlamentar de forma a tentar “sensibilizar para esta temática e alertar para a necessidade de regular o setor através da criação de um alvará para as empresas de remoção de amianto e uma certificação para os técnicos que identificam estes materiais”.

“Analisámos os custos do amianto e concluímos que tratar os doentes de cancro provocado por este carcinogénico pode ser 50 vezes mais caro que remover uma cobertura em fibrocimento”, conclui Carmen Lima.

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