Marco Ottico / EPA
Na primeira onda de covid-19, que ocorreu entre março e maio, Portugal foi um dos países que registou um menor número de óbitos. Agora, e perante a chegada da segunda vaga, a situação inverteu-se e o país encontra-se numa situação bastante negra, sobretudo quando comparada com outros países europeus.
Durante a primavera, Portugal foi dado como um caso de sucesso, sendo que alguns países até falavam no “milagre português” devido ao baixo número de mortes.
No entanto, o cenário atual não é tão favorável. Perante a segunda vaga da doença, e com o governo a sublinhar que não tem intenções de repetir um confinamento total, os números começam a assustar a população.
Portugal regista agora uma incidência maior de fatalidades do que o verificado na primeira vaga. De acordo com os dados reportados pelos vários países ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, o mesmo não acontece em Espanha, França, Itália, Alemanha, Bélgica ou Suécia – apesar de nestes países haver um grande número de infetados diários.
Segundo os critérios das autoridades de saúde portuguesas, até ao dia 11 de novembro, o país tinha 3103 mortes confirmadas por covid-19. Tendo em conta a dimensão da população, o número médio de fatalidades registadas num período de 14 dias é maior em Portugal do que na Grécia, na Alemanha ou na Suécia. Mas é bastante inferior aos valores de Itália, França, Espanha ou Bélgica.
Em território nacional, a média dos últimos 14 dias aponta para mais de 4 mortes por cada milhão de habitantes – bem acima da média de menos de dois em cada milhão de habitantes registada na Grécia, pouco mais de um na Alemanha, e menos de uma pessoa por cada milhão de habitantes na Suécia.
Os números mostram que em Portugal a segunda vaga está a ter maior impacto em termos de mortalidade, do que a primeira. Contudo, é preciso ter em conta com que há também muitos mais casos identificados, e o número de testes realizados também subiu. Desta forma, e como realça o Jornal de Negócios, é difícil tirar conclusões sobre a taxa de letalidade da doença.
De acordo com o Negócios, entre os oito países analisados, apenas a Grécia apresenta também uma incidência maior de mortes na segunda vaga, do que aquela que tinha sido registada na primeira. Esta situação só é comum nos países de Leste.
Esta quarta-feira, o país registou o maior número de mortes por covid-19 desde o início da pandemia, uma vez que em apenas 24 horas foram reportados 82 óbitos.
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Se calhar é porque na primeira vaga foi dos países da Europa onde matou menos, não? Dado em todo o lado como exemplo...
É evidente que se na primeira vaga fomos dos países em que o Covid matou menos, então é fácil sermos dos poucos países onde a segunda vaga mate mais que a primeira... Não porque a segunda vaga mate mais em Portugal do que nos outros países, mas porque na primeira vaga matou muito pouco.