Mário Cruz / Lusa
Pela primeira vez desde 1995, Portugal produz mais carros a gasolina do que a gasóleo. A tendência explica-se pelas mudanças de comportamento dos consumidores estrangeiros e pelo sucesso do T-Roc, o novo modelo da Autoeuropa.
Em 2018, dos 294.470 automóveis, ligeiros e pesados, fabricados em Portugal, mais de metade estavam equipados com motores a gasolina, segundo dados divulgados pela Associação Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) ao Dinheiro Vivo.
Estamos a falar de 148.293 automóveis a gasolina que constituem 50,4% da produção total nacional. Os restantes são carros a gasóleo, com excepção de apenas 104 veículos eléctricos.
Mas se nos concentrarmos apenas na produção da Autoeuropa, esta diferença é ainda mais significativa, sendo que dos 234.151 carros produzidos pela fábrica de Palmela, 63,3% (148.095 veículos) estavam apetrechados com um motor a gasolina. Trata-se da percentagem mais elevada desde 1995, como nota a publicação económica.
“Como praticamente toda a produção automóvel vai parar ao estrangeiro, nota-se mais a mudança de preferência dos consumidores dos carros a gasóleo para os modelos a gasolina”, destaca o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, ao Dinheiro Vivo.
Portugal exporta 97% dos carros que são fabricados dentro de portas, com Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha a concentrarem 69,4% das exportações.
A nível nacional, os carros a gasóleo continuam a ser os mais vendidos, mas já se verifica uma queda nas vendas.
“Os problemas de emissões geraram maior atenção para as questões ambientais”, nota no Dinheiro Vivo o líder do cluster automóvel Mobinov, José Couto.
“A mudança do modelo de produção na Autoeuropa, com a produção do utilitário desportivo T-Roc, justifica o crescimento dos motores a gasolina”, frisa, por seu lado, o secretário-geral da ACAP.
E para os próximos anos, “a tendência de produção de mais carros a gasolina do que a gasóleo vai acelerar, não só em Portugal, mas também na Europa”, destaca na referida publicação a direcção da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.
Uma tendência que se explica pelo facto de haver cidades como Madrid, Paris e Roma que “têm projectos para banir a circulação de automóveis a gasóleo nos próximos anos”, nota José Couto.
Na Alemanha, em Estugarda, já é proibido circular com automóveis mais antigos a gasóleo no centro da cidade.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
Sabendo que o parque automóvel é mais de 60% a Diesel, o governo Costa/Centeno descobriram mais uma galinha de ovos de ouro - subir impostos e combustível a estes carros de uma forma"colossal".
Qual ambiente, qual carapuça... o que conta é o encaixe de impostos, principalmente quando há uma "desculpa bondosa", para o fazer.
A poluição entre Gasolina e Diesel é idêntica, e até os carros eléctricos, se forem analisados todas as fases da sua vida, deste a construção aos resíduos das baterias, não ficam muito atrás. Desculpas boas para aumentar a carga fiscal.
E porque não começa o Estado a converter desde já a sua frota de carros "poluentes" para eléctricos ?
E porque não começam os ministros e o Costa a aparecerem no Parlamento de bicicleta ?!