Paulo Morais, presidente da Associação Transparência e Integridade (ATI)
A Porto Editora avançou com uma queixa-crime contra o ex-candidato presidencial Paulo Morais por causa das suas declarações sobre a “cartelização” do mercado de manuais escolares. O ex-vice-presidente da Câmara do Porto reage reafirmando as críticas.
Numa nota enviada à agência Lusa, a Porto Editora alega “prejuízo ao bom nome e reputação da empresa”, realçando que “em causa estão as recorrentes declarações do ex-candidato à Presidência da República associando a editora a esquemas de corrupção envolvendo políticos e de cartelização do mercado de manuais escolares”.
O ex-vice-presidente da Câmara do Porto reage a esta posição reafirmando as suas denúncias.
“Não altero minimamente o que tenho dito, que é que as grandes editoras de manuais escolares em Portugal são verdadeiras sanguessugas das economias familiares, têm um sistema de cartelização de vendas de livros, os livros são caríssimos, as famílias vêem-se e desejam-se para os conseguir pagar”, salienta Paulo Morais à agência Lusa.
O ex-candidato presidencial diz ainda que “há três editoras – Porto Editora, Leya e Santillana – que dominam completamente a política do livro escolar, a política de fixação dos preços do livro escolar, e isto é completamente inadmissível”.
Paulo Morais fala de uma “situação de privilégio absoluto com a conivência de governos, de Parlamentos, de forma que têm o mercado completamente cartelizado”.
“As escolas têm de ter bancos de trocas de livros para que as crianças, no fim de cada ano, deixem os livros do ano anterior e recolham os do ano seguinte, à semelhança do que acontece em todos os países da Europa ocidental, à excepção de Portugal”, frisa ainda, considerando que esta medida seria benéfica também, do ponto de vista “ecológico”.
Paulo Morais entende ainda que a queixa da Porto Editora visa, sobretudo, “tentar cercear” a sua “liberdade de expressão”, mas garante que não vai deixar de falar do assunto.
ZAP
Força Sr. Paulo Morais!
Você diz muitas verdades incómodas, que outros calam para não perturbar as clientelas.