Fernando Veludo / Lusa

O FC Porto assumiu provisoriamente o comando da Liga NOS. No dérbi portuense com o Boavista, no Estádio do Dragão, os “azuis-e-brancos” foram sempre superiores, a espaços de forma sufocante, e venceram por 2-0.

Muita posse de bola, remates e intensidade valeram aos homens da casa um resultado sem contestação, abrilhantado pela grande facilidade em entrar na área “axadrezada” (14 remates na área em 17) e em driblar adversários, ao ponto de o Porto ter fixado um novo máximo de dribles eficazes num jogo da Liga em 2018/19, nada menos que 24.

O Jogo explicado em Números

  • Muito boa entrada do FC Porto na partida, a conseguir penetrar com facilidade na área boavisteira e a criar perigo. Aos dez minutos, Tiquinho Soares viu Rafael Bracali negar-lhe o golo duas vezes no mesmo lance, numa demonstração de superioridade que garantia, à passagem do primeiro quarto-de-hora, 70% de posse de bola, 85% de eficácia de passe e seis remates, três deles enquadrados.
  • A meia-hora não trouxe nada de novo, com o Boavista a registar apenas um remate, desenquadrado, e uma acção com bola dentro da grande área portista, protagonizada por Yusupha. Os “axadrezados” fechavam bem o jogo interior dos anfitriões, mas deixavam espaços nas alas, onde Yacine Brahimi, Otávio e Jesús Corona (este a lateral-direito) iam inventando espaços e lances que acabavam invariavelmente na área visitante.
  • Daí que, em termos de remates, os portistas registassem, aos 30 minutos, nove remates, mas ainda os tais três enquadrados, dois deles pertencentes a Tiquinho Soares. O brasileiro começava a dar nas vistas também pelos passes para finalização, registando três nesta fase, bem como dois dribles eficazes – Brahimi contava quatro concluídos em quatro tentativas.
  • Até que, aos 39 minutos, o árbitro assinalou uma grande penalidade, por falta de Raphael Silva sobre Yacine Brahimi e Soares, dos 11 metros, não desperdiçou. Um golo que surgiu ao 12º remate portista, quarto na direcção da baliza. Bracali ainda adivinhou o lado, mas nada pôde fazer para evitar a desvantagem da sua equipa.
  • Nos descontos do primeiro tempo, Moussa Marega ainda fez o 2-0, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo.
  • Vantagem justa dos “dragões” na primeira parte pelo que fez em busca do primeiro golo, em contraponto com o posicionamento muito defensivo do Boavista, com três centrais e muitos elementos em frente à sua defesa.
  • O Porto foi sempre superior, chegando ao intervalo com 75% de posse de bola, 12 remates, quatro enquadrados, marcando no último, por Soares, de penálti.
  • O brasileiro era mesmo o melhor ao descanso, com um GoalPoint Rating de 7.3, fruto do tento, mas também dos quatro remates (três enquadrados), três passes para finalização e dois dribles completos.
  • Reentrada perfeita do Porto no segundo tempo, com Otávio a fazer o 2-0 aos 48 minutos. O brasileiro rematou forte de fora da área e Bracali não conseguiu reagir a tempo para evitar que a bola chegasse ao fundo da sua baliza.
  • Grande eficácia portista neste segundo tempo, chegando à hora de jogo com dois remates, ambos enquadrados, nesta segunda parte, num total de 14 disparos. Desses, 11 foram realizados na grande área boavisteira
    , demonstração das facilidades do “dragão” em romper linhas. Em contraponto, os dois disparos do Boavista aconteceram de fora da área.
  • O jogo perdeu intensidade a partir do segundo golo, com o Porto a tirar o pé do acelerador e o Boavista incapaz de assumir verdadeiramente o jogo em busca de reduzir a desvantagem. Aos 70 minutos os “dragões” iam gerindo os acontecimentos, com 55% de posse de bola na segunda parte e muito menos procura de homens na área – somente um cruzamento de bola corrida na segunda metade, contra os dez da primeira.
  • Muitas facilidades para o Porto na tentativa de ultrapassar os seus adversários. Por volta dos 80 minutos, os cinco portistas com mais dribles eficazes (Otávio, Soares, Brahimi, Corona e Herrera) somavam, entre todos, 21.
  • O jogo foi-se arrastando até final, sem grandes lances de ataque e poucos remates, com o Porto a realizar quatro, três enquadrados – uma competência bem melhor que a do Boavista, que realizara três disparos desde o intervalo, nenhum que incomodasse Casillas.

O Homem do Jogo

A quarta nota mais elevada da época (em igualdade com a de Corona, na 26ª jornada) foi fixada por Otávio nesta partida com o Boavista. O brasileiro realizou uma exibição de grande nível, coroada com um belo golo e um GoalPoint Rating de 9.3.

O criativo teve números ofensivos de grande qualidade para além do tento, com dois remates, um passe para finalização, 88 acções com bola e o máximo de dribles eficazes na partida, nada menos que oito em nove tentativas. Quando sem bola, ajudou nas tarefas defensivas, com sete recuperações de posse, quatro desarmes e três intercepções.

Jogadores em foco

  • Tiquinho Soares 7.7 – O avançado brasileiro realizou uma primeira parte de grande nível, que contribuiu decisivamente para o seu rating. Soares fez o 1-0, de penálti, e terminou com quatro remates, três enquadrados, quatro passes para finalização e dois dribles eficazes nas duas únicas tentativas. A nota acabou afectada por uma ocasião flagrante desperdiçada.
  • Jubal 6.8 – Perante a avalancha ofensiva do “dragão”, só por milagre não seria um jogador da retaguarda o melhor dos boavisteiros. O brasileiro Jubal apenas registou um duelo aéreo ganho no que toca a lances ofensivos, focando-se nas tarefas de destruir jogo. Assim, somou impressionantes 22 acções defensivas, com destaque para os 11 alívios e os cinco desarmes.
  • Jesús Corona 6.8 – O mexicano regressou à lateral-direita, posição que não ocupava há várias semanas, e esteve em bom plano, em parte devido à inoperância ofensiva do Boavista. Corona terminou com uma assistência em quatro passes para finalização, quatro dribles eficazes em seis tentativas e somente duas acções defensivas.
  • Yacine Brahimi 6.4 – Regressado à titularidade, o argelino voltou a mostrar qualidade naquilo em que é melhor, o drible. Ao todo tentou nove e concluiu cinco com êxito, criando ainda uma ocasião flagrante em dois passes para finalização.
  • Héctor Herrera 6.4 – Outro dos dribladores de serviço. O médio tentou cinco vezes este gesto, com sucesso em três, e ainda ganhou os quatro duelos aéreos defensivos em que participou e teve eficácia em 89% dos passes que realizou.

Resumo

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