Tiago Petinga / Lusa
Kate e Gerry McCann, os pais de Maddie
Clarence Mitchell tornou-se conhecido entre os portugueses como o porta-voz de Gerry e Kate McCann, aquando do desaparecimento de Maddie, a filha do casal britânico, no Algarve, em 2007. Volvidos 12 anos, o ex-jornalista da BBC dá uma rara entrevista, onde faz algumas revelações.
Em declarações ao jornal britânico Telegraph, Clarence Mitchell revela que acredita que Maddie foi raptada “por encomenda” do hotel da Aldeia da Luz, no Algarve, onde estava em Maio de 2007, quando desapareceu sem deixar rasto.
O porta-voz dos McCann relembra como começou a trabalhar com o casal, na sequência do desaparecimento, numa altura em que estava em funções num órgão governamental britânico no âmbito da monitorização dos média.
“O Embaixador [do Reino Unido em Portugal] tinha enviado um par de assessores de imprensa para lá, mas eles estavam assoberbados com a resposta dos média. Ele pediu alguma ajuda extra de Londres”, relata Mitchell, notando que acreditava, então, que seria um trabalho para apenas “uns quinze dias”. Já lá vão 12 anos.
O ex-jornalista da BBC continua a defender os pais de Maddie, não apenas no âmbito da sua função de assessor, mas a título pessoal, realçando ao Telegraph que os McCann foram alvo de muito “preconceito” e de muita “desinformação”, com ideias “equivocadas e baseadas puramente em suposições ou falta de conhecimento”.
“As pessoas decidiram que não gostam dos McCann”, sustenta Mitchell, reforçando que os jornais contribuíram para isso, num “ciclo de loucura” onde diz que “exageraram e distorceram a informação”.
Referindo-se à contenção emocional dos McCann perante as câmaras, nas entrevistas que foram dando aquando do desaparecimento, Mitchell avança que “uma das razões porque foram tão controlados foi porque que lhes disseram, desde muito cedo, que, muitas vezes, no caso de raptores pedófilos, os perpetradores vêem a cobertura dos média e gostam de ver a angústia que causaram”.
“A polícia disse-lhes para não chorarem. Para não mostrarem qualquer excesso de emoção. A Kate e o Gerry, ambos médicos e ambos lógicos, não iam deixar esse b****** ter essa satisfação e, por isso, foram muito rígidos”, acrescenta o porta-voz, assumindo que “para quem não sabe isso”, o comportamento dos pais pode parecer “um pouco suspeito”.
“Há até quem diga que os pais sabem o que aconteceu. Eles não sabem. Simplesmente, não é verdade. Mas tentem explicar isso no ruído das redes sociais e da cobertura geral”, avança ainda Mitchell.
“Perguntei às autoridades britânicas o que é que elas acham que aconteceu, se acham que houve algum envolvimento familiar e asseguraram-me que era apenas um caso raro de um rapto estranho“, conta também o assessor, realçando que o motivo sexual é uma possibilidade “óbvia”.
“Uma criança foi levada por encomenda daquele quarto“, diz também, avançando aquela que é a sua teoria sobre o que aconteceu.
Certo é que “a Madeleine foi, inquestionavelmente, o caso mais mediático de uma criança desaparecida na era da Internet” e isso “não foi uma decisão” dos McCann, sustenta o ex-jornalista que deixa também críticas às autoridades portuguesas pelas fugas de informação para a comunicação social.
Sobre o trabalho que ainda faz para os McCann, Mitchell nota que têm “uma boa relação de trabalho”, “amigável, mas profissional”. “Não socializamos, não é necessariamente apropriado, mas a cobertura dos média continua a ser bastante intrusiva e eles vêem-me como uma parte que lida com isso”, refere.
Quanto a Maddie, os McCann continuam a ter a esperança de que apareça viva, dada a “ausência completa de qualquer prova” de que a menina foi “fisicamente magoada”, como conclui Mitchell.
[sc name=”assina” by=”SV, ZAP”]
É... agora foi um "rapto por encomenda"... provas/indícios disso: ZERO!!
Por encomenda deve ter sido a entrevista...