A população ativa em Portugal Continental cresceu 0,8% entre 2016 e 2017, o primeiro aumento desde 2008, enquanto os inativos decresceram 9,6%, revela um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Centro de Relações de Laborais.
De acordo com o sumário executivo do relatório sobre Emprego e Formação, o crescimento verificado foi mais significativo na população ativa feminina e no escalão etário dos 55 aos 64 anos – mais 6,2%.
A taxa de atividade portuguesa mantém-se em níveis superiores aos verificados na UE, mas nos escalões mais jovens registou um decréscimo sistemático desde 2008 (40,9%) até 2017 (34%), enquanto na UE estabilizou em torno dos 42%.
A população inativa tem vindo a decrescer e, em 2017, tinha menos 44 mil pessoas do que no ano anterior, sendo esta redução a primeira na última década.
Segundo o estudo do CRL, os inativos “disponíveis que não procuram emprego”, no Continente, eram cerca de 195 mil pessoas, ou seja, 5,6% do total dos inativos, número este que decresceu 9,6% entre 2016 e 2017.
O aumento da população ativa não compensou a diminuição da população inativa, mantendo-se a tendência anterior para a diminuição da população total residente no Continente em 2017, que foi de menos 0,2% face a 2016, em parte justificada pelo saldo migratório negativo, que corresponde a menos 8,3 mil indivíduos.
O estudo refere que o volume de emprego em 2017 atingiu o nível mais elevado dos últimos sete anos, ultrapassando o valor observado em 2011 em mais 10,7 mil pessoas.
Durante 2017, com mais 143 mil empregados, o emprego cresceu o triplo do aumento observado em 2016, mais 54 mil, tendo aumentado de forma semelhante para ambos os sexos.
Mas o crescimento do emprego não foi homogéneo entre os diferentes escalões etários, tendo-se verificado uma diminuição do emprego no escalão etário dos 35 aos 44 anos e uma variação positiva do emprego nos escalões mais jovens, dos 15 aos 34 anos, pela primeira vez na última década.
No período em análise, as qualificações da população empregada aumentaram
, em média. A população empregada com o ensino secundário cresceu 6,4%, a população empregada com o ensino superior 3% e a população com o ensino básico 1,7%.Em 2017, no Continente, 78% dos 3.756,4 mil trabalhadores por conta de outrem tinham contratos sem termo e 18,4% tinham contratos a termo.
Setores de emprego
Em termos setoriais, a população empregada na indústria, construção, energia e água (25,3% do total) cresceu mais (4,2%) do que a população empregada nos serviços (68,5% do total, com um crescimento de 3,8%), enquanto o emprego na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca que representava 6,2% do emprego, registou um decréscimo de 5,4% face a 2016.
Os subsetores das Indústrias Transformadoras que revelaram um crescimento mais significativo em 2017 foram a fabricação de equipamento informático, equipamento para comunicação e produtos eletrónicos e óticos, fabricação de equipamentos elétricos, fabricação de máquinas e equipamentos (mais 10 mil pessoas), as indústrias metalúrgicas de base (mais 7,7 mil) e a Indústria têxtil (mais 7,3 mil pessoas).
No caso dos serviços, foram o alojamento, restauração e similares (mais 39,6 mil pessoas), as atividades administrativas e dos serviços de apoio (mais 14,9 mil pessoas) e os transportes e armazenagem (mais 13,9 mil).
O estudo destaca ainda o crescimento do emprego nas atividades de saúde humana e apoio social, que foi contínuo na última década, tendo aumentado em cerca de 120 mil pessoas entre 2008 e 2017.
A análise do CRL lembra que em 2017 estavam desempregadas 438 mil pessoas, o que representa um decréscimo de 19,3% (menos 104,7 mil pessoas) relativamente ao ano anterior.
O estudo refere dados do Instituto de Informática do Ministério do Trabalho para afirmar que em 2017 havia cerca de 171,3 mil beneficiários com prestações de desemprego.
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