Manuel de Almeida / Lusa
O lider do Chega, André Ventura
Depois de Ana Gomes ter anunciado publicamente a sua candidatura a Belém, André Ventura atacou a candidata, uma investida que os especialistas acreditam que irá sair cara ao líder do Chega.
Ana Gomes apresentou-se como concorrente às eleições para a Presidência da República de janeiro de 2021 e André Ventura não se deixou ficar: definiu a ex-diplomata como “a candidata cigana” e fez uma ameaça de demissão se perder para a socialista.
“Este tipo de discurso, insultuoso, rasca, vira-se contra André Ventura. Os segmentos do eleitorado de direita que votam são muito menos sensíveis a este tipo de discurso”, considera o politólogo António Costa Pinto, em declarações ao semanário Expresso.
O especialista defende que, nestas eleições, Ventura poderia ter a pretensão de mobilizar um eleitorado que não se revê ou está desiludido com Marcelo Rebelo de Sousa. “Uma direita mais conservadora, ligada a sectores do PSD e do CDS. Ora, este tipo de eleitores não consegue ignorar um tipo de ‘ataque gratuito’ e desenvolve uma atitude de rejeição.”
Por outro lado, aponta a politóloga Marina Costa Lobo, a ameaça de demissão pode fazer um grande favor à socialista. “Cria um belo incentivo para o eleitorado de esquerda servir-lhe esse resultado de bandeja.”
A diferença que afasta Ventura de líderes como Donald Trump, Jair Bolsonaro ou Marine Le Pen é que o líder do Chega não tem a dimensão destes políticos internacionais, nem a penetração eleitoral dos movimentos que os suportavam.
Costa Pinto acrescenta ainda que as tensões sociais exploradas por estes líderes não existem no contexto português, o que retira muito do potencial que podia ter o presidente do Chega – sobretudo numas eleições presidenciais que têm, tradicionalmente, pouca participação e cujo vencedor está previamente anunciado.
“André Ventura precisará sempre de um acontecimento desencadeador para condicionar a campanha. Se quiser mobilizar mais do que os seus, não pode servir-se apenas de um discurso abstrato ou de ataques desta natureza“, disse o especialista ao semanário.
Um fator crucial neste jogo de tabuleiro é a atitude dos restantes candidatos. “O grande objetivo de André Ventura nestas eleições é a sua consolidação no sistema político português, tentando ancorar-se na base eleitoral que é tradicionalmente do PSD e do CDS. Sabendo disto, a estratégia dos outros candidatos tem de passar ora por desprezar, ora por salientar negativamente aquilo que diz, mas nunca o considerar de igual para igual. Tem de ser variável”, rematou Costa Pinto.
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Prognósticos? Só no final do jogo. Vamos ver como ē que o povo português vai reagir ao que se tem passado em todos os meandros da política portuguesa.
Politólogos fazem-me lembrar economistas que não sabem nada do que vai acontecer. Ainda por cima politólogos com inclinação.