Manuel Morais / Facebook

Manuel Morais, agente do Corpo de Intervenção da PSP e vice-presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia.

A participação do vice-presidente do maior sindicato da PSP, Manuel Morais, na reportagem da SIC sobre violência policial e racismo nos bairros sociais, está a gerar uma onda de contestação, com pedidos de demissão.

Manuel Morais, agente do Corpo de Intervenção da PSP, integra a direcção da Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP), o maior sindicato da PSP, há 30 anos, mas pode estar de saída depois das declarações que fez na SIC.

O agente reconheceu que há racismo e xenofobia no seio das polícias, o que indignou muitos associados da ASPP que estão a pressionar a estrutura sindical para demitir Manuel Morais. O Diário de Notícias (DN) avança que a ASPP “vai ceder à pressão e aceitar a demissão do seu dirigente histórico”.

Não é a primeira vez que Manuel Morais fala do assunto. O seu trabalho de mestrado em Antropologia, intitulado “Relações das Polícias com os Jovens dos Bairros Periféricos”, já falava de racismo e xenofobia na PSP. Mas com as declarações que fez na reportagem da SIC as suas opiniões ganharam maior relevância e causaram mais incómodo.

“Neste momento está muito difícil não ceder” à pressão dos associados, reconhece o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, ao DN. O dirigente sindical destaca o “momento inoportuno” das declarações de Manuel Morais, lembrando a sentença histórica

que condenou 8 polícias da esquadra de Alfragide por agressões, injúrias e sequestros contra 6 jovens negros da Cova da Moura, em 2015.

“O que nos preocupa é que as declarações do Manuel Morais, apesar de terem sido a título pessoal, geraram uma enorme onda de contestação de muitos sócios que entendem que a opinião dele não representa os polícias”, acrescenta Paulo Rodrigues.

Neste caldo de preocupação é preciso também incluir a nova Lei Sindical da PSP que foi aprovada no Parlamento e que limita as folgas sindicais dos dirigentes à representatividade dos Sindicatos. Ora, o desconforto com Manuel Morais pode levar à debandada de sócios da ASPP para se unirem a outros Sindicatos, o que fragilizaria o peso do que é actualmente o maior representante da PSP.

Manuel Morais confirma ao DN que pretende “colocar o lugar à disposição” da direcção e reafirma as declarações que fez na SIC. “Não abdico um milímetro do que disse na reportagem: há um preconceito, não nos polícias, mas na sociedade, a desconstruir”, sublinha, realçando que “o difícil é as pessoas terem consciência desse preconceito”.

“É preciso que as organizações assumam as suas responsabilidades sociais, incluindo os Sindicatos”, constata ainda Manuel Morais.

A demissão pode ser confirmada na reunião de dirigentes nacionais da ASPP que está agendada para segunda-feira, 27 de Maio.

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