Valter Campanato / Agência Brasil

O presidente do Brasil, Michel Temer

De acordo com um relatório da Polícia Federal brasileira, o Presidente do Brasil é acusado de desviar 31 milhões de reais, cerca de nove milhões de euros, dos cofres públicos. O mesmo relatório conclui que há indícios de corrupção, organização criminosa e formação de quadrilha no governo do Brasil.

O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal e acusa Temer e cinco colaboradores do desvio de milhões de reais de dinheiros públicos. Só Temer, conseguiu desviar cerca de 31 milhões, o equivalente a nove milhões de euros.

Na lista de acusados, além de Temer, que seria um dos chefes do grupo, figuram outras figuras políticas que estão ou já estiveram no governo, ao lado do presidente, ou que já foram presos por crimes anteriores.

No primeiro caso, ou seja, figuras políticas que ainda marcam presença no Governo de Temer, estão Eliseu Padilha e Moreira Franco, respetivamente segunda e terceira figuras do atual executivo brasileiro.

No segundo caso, figuras políticas que já estiveram no governo, estão Eduardo Cunha, o  ex-presidente da Câmara dos Deputados, já condenado a 15 anos de prisão e a aguardar outro julgamento, Henrique Alves, também ex-deputado, e Geddel Vieira Lima, que foi ministro nos governos de Michel Temer, Dilma Roussef e Lula da Silva.

A semana passada, foram encontrados  13 milhões de euros em malas no apartamento de Geddel Vieira Lima, na maior apreensão em dinheiro vivo da história da polícia federal brasileira.

Todos os nomes implicados são do PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o maior partido brasileiro, cronicamente presente nos governos do país.

No Partido dos Trabalhadores, no entanto, Lula da Silva foi denunciado pela nona vez pela justiça do Brasil. Desta vez, fora do âmbito da Lava-Jato, onde já foi condenado a nove anos e seis meses em primeira instância, mas na Operação Zelotes, sobre a aprovação de um projeto lei que favorecia o setor automóvel.

Tanto Lula, como a cúpula do PMDB, negaram, através dos seus advogados, qualquer um dos crimes de que são acusados.

Supremo autoriza nova investigação contra Temer

Noutro caso de corrupção, mas também com o presidente brasileiro como principal suspeito, o juiz Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, autorizou a abertura de uma investigação contra o Presidente Michel Temer, suspeito de ter beneficiado ilicitamente uma empresa que atua no maior porto do país.

Michel Temer será investigado juntamente com o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures neste caso que veio a público em maio, junto com outras denúncias que envolvem membros do Governo brasileiro. Na decisão, o juiz do STF justificou que existem indícios para levar o caso para a frente.

“Os elementos colhidos revelam que Rodrigo Rocha Loures, homem da confiança do Presidente da República, menciona pessoas que poderiam ser intermediárias de repasses ilícitos para o próprio Presidente da República, em troca da edição de ato normativo de específico interesse de determinada empresa, no caso, a Rodrimar”, escreveu o juiz.

O juiz Luís Roberto Barroso considerou que “ninguém deve ser indiferente ao ônus pessoal e político de uma autoridade pública, notadamente o Presidente da República, figurar como investigado em procedimento dessa natureza“.

No entanto, acrescentou que “este é o preço imposto pelo princípio republicano, um dos fundamentos da Constituição brasileira, ao estabelecer a igualdade de todos perante a lei”. O pedido de investigação foi feito pelo Procurador-geral do Brasil, Rodrigo Janot, em agosto.

O procurador brasileiro apontou numa petição enviada ao STF que existem indícios de que Michel Temer e o ex-deputado teriam cometido os crimes de corrupção e branqueamento de capitais na edição de um decreto sobre portos que favoreceu a empresa Rodrimar.

A nova investigação foi baseada em documentos apreendidos pela polícia e escutas telefónicas feitas ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Num dos telefonemas, o ex-deputado pede a um membro do Governo que acrescente ao decreto dos portos uma norma que alegadamente beneficiaria a empresa Rodrimar.

Noutra escuta telefónica que foi monitorada pela polícia brasileira, o mesmo Rodrigo Rocha Loures conversa com um dos executivos da Rodrimar sobre as articulações que fez junto do Governo para que editasse o decreto dos portos.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]