Paulo Novais / Lusa

Ter um emprego não ajuda as pessoas em situação de pobreza a deixarem essa condição. A conclusão é de uma investigação levada a cabo em Lisboa, com famílias pobres, que constata que encontrar trabalho “não é suficiente” para garantir uma vida condigna.

O estudo “Barómetro de Pessoas que se Encontram em Situação Vulnerável”, elaborado pelo Dinâmia-CET (Centro de Estudos sobre a Mudança Sócio-económica e o Território) do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, em parceria com o Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, vai ser oficialmente apresentado esta terça-feira, mas é antecipado pelo jornal Público.

O projecto acompanha várias pessoas em situação de pobreza, em Lisboa, desde 2011, prolongando-se até 2020.

Até agora, ou seja, em seis anos, das 47 pessoas seguidas, só duas “podem ser consideradas como tendo saído da pobreza”, depois de terem encontrado um emprego que lhes possibilita ganhar “um rendimento suficiente para uma vida condigna”, cita o jornal.

Por outro lado, se em 2011, 12 dessas 47 pessoas seguidas eram classificadas como trabalhadores pobres, em 2017, a classificação estendeu-se a 20.

Os investigadores concluem, assim, que “o trabalho não tira as pessoas da pobreza”, constata o Público. “A inserção no mercado de trabalho é mal remunerada e, embora melhorando a situação económica familiar, não é suficiente”, notam os investigadores.

“O combate à pobreza necessita forçosamente de uma mudança de paradigma”, apontam os autores do estudo, que falam dos elevados preços da habitação como um dos grandes problemas.

Os autores destacam que, embora o “impacto das políticas públicas” seja “positivo até certa medida”, não é suficiente para tirar as pessoas de situação de pobreza, dado o peso de factores como “o mercado de trabalho, a própria economia, o acesso aos serviços e outras coisas que ultrapassam as medidas de política pública”.

Além disso, “a acção dos dispositivos de assistência [da Segurança Social] parece estar insuficientemente articulada com as políticas de emprego“, constatam.

Assim, recomendam a “aposta nas políticas de emprego, nomeadamente por via do apoio ao micro-crédito, a par de orientações estratégicas nas políticas de saúde e protecção social, bem como um acompanhamento social que faça efectivamente a mediação entre os perfis de vulnerabilidade e os recursos disponíveis”, como medidas para resolver o problema.

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