A Polícia Judiciária realizou esta quarta-feira uma operação policial de buscas domiciliárias e não domiciliárias, em autarquias, entidades públicas e empresas, associadas a um esquema fraudulento “da viciação de procedimentos de contratação pública, com vista a favorecer pessoas singulares e coletivas”.
A operação da PJ, designada “Rota Final”, é feita através da Diretoria do Norte com o apoio de vários Departamentos de Investigação Criminal e da Diretoria do Centro. Em causa está a suspeita de práticas de corrupção, tráfico de influências, participação económica em negócio, prevaricação e abuso de poder.
“Mediante atuação concertada de quadros dirigentes de empresa de transporte público, de grande implementação em território nacional com intervenção de ex-autarcas a título de consultores, beneficiando dos conhecimentos destes, terão sido influenciadas decisões a nível autárquico com favorecimento na celebração de contratos públicos de prestação de serviços de transporte, excluindo-se das regras de concorrência, atribuição de compensação financeira indevida e prejuízo para o erário público. Também no recrutamento de funcionários se terão verificado situações de favorecimento”, lê-se em comunicado, citado pelo Observador.
De acordo com a SIC, realizaram-se 50 buscas, domiciliárias e não domiciliárias, as quais envolveram 200 elementos da PJ (inspetores, peritos informáticos, financeiros e contabilísticos). Um total de 18 Câmaras Municipais foram alvo de buscas: Águeda, Almeida, Armamar, Belmonte, Barcelos, Braga, Cinfães, Fundão, Guarda, Lamego, Moimenta da Beira, Oleiros, Oliveira de Azeméis, Oliveira do Bairro, Sertã, Soure, Pinhel e Tarouca.
Ainda não há detidos, mas alguns dos autarcas vão ser constituídos arguidos. Por agora, a PJ não tem mandados de detenção e está apenas a recolher provas. Uma das câmaras visadas é a da Guarda
, por negócios realizados ainda quando o social-democrata Álvaro Amaro era o Presidente, de acordo com o Diário de Notícias.Amaro interrompeu o mandato em abril passado por fazer parte da lista social-democrata ao parlamento europeu, para o qual foi eleito. E atualmente um dos homens do Conselho Estratégico do PSD, escolhido por Rui Rio para coordenar a área para a Reforma do Estado, Autonomias e Descentralização.
O DN avança ainda que uma das principais empresas visadas pela investigação é um dos maiores grupos nacionais de transportes de passageiros, que tem praticamente o monopólio na zona norte. Já o Observador avança que no centro do processo está a Transdev, que terá contratado vários ex-autarcas para beneficiar do seu conhecimento junto das autarquias e, assim, conseguir contratos. A empresa francesa presta serviço em Portugal desde 1997. Poderão estar em causa vários crimes económicos.
A investigação prossegue para determinação de todas as condutas criminosas.
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Tudo gente do mais impoluto calibre....