A farmacêutica norte-americana Pfizer lançou um programa piloto de distribuição da sua vacina experimental contra a covid-19 nos estados de Rhode Island, Texas, Novo México e Tennessee.
Segundo avançou esta terça-feira a Reuters, o objetivo é responder aos desafios que o armazenamento ultrafrio (-70ºC) da vacina coloca, com regras muito mais restritas do que o normal, uma vez que a maioria das vacinas são armazenadas a 2-8ºC.
“Esperamos que os resultados deste projeto-piloto sirvam de modelo para outros estados dos [Estados Unidos] EUA e governos internacionais, enquanto se preparam para implementar programas eficazes de vacinação”, afirmou a Pfizer em comunicado na segunda-feira, informando ainda que isso não significa que os quatro estados vão receber a vacina mais cedo.
Até ao fim deste mês, a farmacêutica espera ter dados suficientes sobre a vacina, antes de prosseguir com o pedido de autorização de uso de emergência nos EUA.
França: vacinação será gratuita e começa em janeiro
O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, disse esta terça-feira que se a vacina da Pfizer contra o coronavírus for eficaz e segura, a vacinação no país será gratuita e deverá começar no início do próximo ano.
“Se forem validadas, teremos as primeiras vacinas no início do ano”, explicou Véran, em entrevista ao canal BFMTV, acrescentando estar confiante de que a Pfizer e a sua parceira BioNtech transmitirão às agências de saúde todos os dados experimentais “até daqui a três semanas”, para serem examinados.
O ministro também lembrou que a Comissão Europeia já fez uma pré-encomenda que implica o equivalente a cerca de 30 milhões de doses para França e que a administração das vacinas será gratuita, assim como os testes de deteção de covid-19.
Véran escusou-se a avançar com datas para a reabertura do comércio e a comentar informações divulgadas por alguns meios de comunicação, que indicam que o Governo está a ponderar a hipótese de manter os bares e restaurantes fechados até meados de janeiro.
“Queremos reabrir as lojas em boas condições para não termos de as fechar novamente”, disse, recusando repetidamente apontar datas concretas.
Ludovic Marin / EPA
O Presidente de França, Emmanuel Macron
O ministro da Agricultura, Julien Denormandie, avançou, entretanto, em entrevista à rádio RMC, que vai ser autorizada, a partir da próxima sexta-feira, a venda de árvores de Natal, mas apenas em espaços exteriores.
A França está em regime de confinamento domiciliar desde 30 de outubro, devendo a condição durar até, pelo menos, 01 de dezembro, mas o Governo já avisou que algumas restrições se manterão além dessa data, continuando a ser obrigatório utilizar documentos de autorização para fazer viagens e mantendo-se o encerramento de bares e restaurantes.
A França contabiliza cerca de 45 mil mortos devido à covid-19 desde o início da pandemia e, apesar dos indicadores da disseminação do vírus estarem a melhorar no país, o primeiro-ministro indicou, na segunda-feira, a vários líderes religiosos que as celebrações religiosas só devem voltar a ser autorizadas a partir de 01 de dezembro.
Anúncio da Moderna provoca recordes em Wall Street
A bolsa nova-iorquina encerrou na segunda-feira em alta, com recordes dos índices Dow Jones Industrial Average e S&P500, no seguimento do anúncio da Moderna de que a sua vacina contra o novo coronavirus é eficaz em 94,5%, noticiou a agência Lusa.
Os resultados definitivos da sessão indicam que aquele índice seletivo valorizou 1,60%, para os 29.950,44 pontos, limiar que excede o máximo registado em fevereiro. Na mesma forma, o alargado S&P500 progrediu 1,16%, para as 3.626,91 unidades, e bateu o recorde que tinha fixado na passada sexta-feira.
Sem recorde, mas também em alta foi o comportamento do tecnológico Nasdaq, que ganhou 0,80%, para os 11.924,13 pontos.
Para Art Hogan, da National Securities, “as boas notícias em torno das vacinas e dos tratamentos contra o vírus foram os motores principais” do mercado nas últimas semanas.
Na última segunda-feira, os laboratórios Pfizer e BioNtech afirmaram que a vacina que estavam a desenvolver em conjunto reduzia o risco de contrair a doença em 90%, o que fez subir a praça nova-iorquina.
Estes desenvolvimentos levam os investidores a esperar que “o fim da pandemia e um regresso à normalidade” estejam próximos, disse Hogan.
O título da Moderna valorizou cerca de 10%.
Entre os beneficiários desta onda de otimismo, os setores dependentes de uma reanimação da economia exibiram uma saúde de ferro, como a transportadora aérea United, que ganhou 5,16%, a empresa de cruzeiros Carnival (9,74%) ou o grupo de hotéis e casinos MGM Resorts International (2,36%).
Ao contrário, as empresas que têm beneficiado com o confinamento e da progressão do teletrabalho viram a cotação descer, à semelhança da Zoom, que perdeu 1,19%.
Mas, apesar do otimismo geral no mercado e da esperança de uma vacina disponível em breve, alguns analistas mantêm-se prudentes. “Ainda há muitos motivos de inquietação, quando os casos de infeção sobem e quando casa vez mais estados (dos EUA) evocam a possibilidade de fechar as suas economias”, disse J. J. Kinahan, da TD Ameritrade.
“Os confinamentos poderiam continuar a afetar o mercado e pesar nos resultados financeiros a curto prazo”, acrescentou.
Vários grupos da grande distribuição devem anunciar esta semana os seus resultados trimestrais, como Walmart, Target e Home Depot.
Este último anunciou esta segunda-feira a aquisição em breve, por cerca de oito mil milhões de dólares (6,7 mil milhões de euros), do distribuidor HD Supply, que lhe vai permitir uma presença importante nos serviços pós-venda.
Fauci: Resultados da Moderna são ‘impressionantes’
O imunologista Anthony Fauci classificou como “incrivelmente impressionantes” os primeiros resultados da vacina do laboratório americano Moderna contra a covid-19. “Tenho que admitir que estaria satisfeito com uma taxa de eficácia de 70% ou no máximo 75%”, disse Anthony Fauci em entrevista à AFP na segunda-feira.
“O facto de termos 94,5% de eficácia em uma vacina é incrivelmente impressionante. É um resultado realmente espetacular e acredito que ninguém previu que seria tão bom”, frisou.
O cientista é o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Contagiosas dos EUA, que iniciou o desenvolvimento da vacina em parceria com a Moderna em janeiro, pouco depois que as autoridades chinesas divulgaram a sequência genética do novo coronavírus.
A vacina é baseada numa tecnologia recente que consiste em inserir instruções genéticas no organismo para que as células produzam um antígeno do coronavírus e desenvolvam uma resposta do sistema imunológico. “Muitas pessoas tinham dúvidas com o uso de algo que ainda não havia sido testado”, recordou Fauci. “De fato, algumas pessoas até nos criticaram por isso”.
O resultado da vacina da Moderna significa que o risco de contrair a covid-19 tem redução de 94,5% entre o grupo vacinado no grande teste clínico realizado com 30 mil pessoas nos EUA. De acordo com a análise preliminar dos primeiros casos, 90 participantes no grupo placebo foram contagiados e apenas cinco no grupo de vacinados.
Nenhum caso grave entre os vacinados
“Tivemos 11 casos graves, nenhum no grupo vacinado e 11 no grupo placebo. Então isso resolve a questão de saber se (a vacina) previne formas graves da doença, o que definitivamente acontece”, afirmou Fauci.
Ainda não está claro quanto tempo dura o efeito da vacina e apenas o tempo vai mostrar. Fauci disse estar confiante de que a duração será significativa, mas “não sabemos se será de um ano, dois anos, três anos, cinco anos, não sabemos”.
Se o nível de eficácia for o mesmo na população em geral que no teste clínico, esta seria uma das vacinas mais eficazes disponíveis, comparável a do sarampo, com uma eficácia de 97% em duas doses, e muito melhor do que a vacina contra a gripe (19 a 60% nos últimos anos), de acordo com os Centros para o Controle de Doenças (CDC) dos EUA.
“Os dados falam por si, não sou eu, não é minha opinião, olhe para os dados”, sublinhou Fauci. “Penso que quando você tem duas vacinas como estas, que demonstraram uma efetividade de mais de 90%, a tecnologia não tem mais nada o que demonstrar”.
O imunologista recordou, no entanto, que “ainda resta um longo caminho a percorrer” para vacinar a população e mostrou-s preocupado com o número de pessoas contrárias às vacinas nos EUA, país mais afetado do mundo pela pandemia.
“O sentimento antivacina é grande neste país”, referiu. “É preciso superar isso e convencer a população sobre a vacinação, porque uma vacina com alto grau de eficácia não tem utilidade se ninguém for vacinado”.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
No debate presidencial...
Trump: até ao fim do ano teremos uma vacina.
Beijing Biden: não acreditem, é mentira, este presidente é um mentiroso.
Pfizer: não vamos dar essa vitória a Trump. Aguardem. Para não ser no dia seguinte, pois parece demasiado óbvio, vamos deixar passar uma semana das eleições para anunciar que a vacina está praticamente pronta.
Media (no futuro): Biden foi o presidente do país que lançou a vacina por todo o mundo.