Manuel Araújo / Lusa

O primeiro-ministro António Costa responde a perguntas de cidadãos no Conselho de Ministros em Aveiro

Chovem críticas da direita à esquerda contra o evento que assinalou dois anos do Governo, pelo facto de os cidadãos que questionaram António Costa terem sido pagos para participar. Mas o primeiro-ministro assegura que no próximo ano, a “receita” é para repetir.

Costa ultrapassou sem grandes dificuldades as questões que lhe foram colocadas por um painel de “entrevistadores” pagos, no âmbito de um evento que pretendeu assinalar os dois anos do Governo, em Aveiro – uma circunstância que está a gerar muitas críticas.

Assunção Cristas, a líder do CDS, já acusou Costa de “governar para a imagem”, mas as críticas chovem até do lado dos aliados de esquerda, com Bloco de Esquerda e PCP a lançarem também reparos pelo recurso a um painel pago.

Governo gastou 45 mil euros

O Observador avança que o Governo gastou 45 mil euros neste evento, depois de, em 2016, ter pago cerca de 11 mil euros numa iniciativa semelhante. Cada participante terá recebido cerca de 200 euros em vales de compras para participar, garante ao jornal Jorge de Sá, da empresa Aximage que recrutou os 50 cidadãos envolvidos na iniciativa.

Além de realizarem as perguntas a Costa, estes cidadãos também participam num estudo levado a cabo pela Universidade de Aveiro, com o intuito de avaliar o segundo ano do Governo. O coordenador deste estudo, Carlos Jalali, refere no Observador que a maior parte dos participantes (33%) até votaram na coligação PSD/CDS em 2015.

Mesmo assim, realça o Observador, 31% votaram no PS, pelo que os socialistas estavam mais representados no painel, uma vez que os votos na PAF se dividem por PSD e CDS.

Manuel Araújo / Lusa

O primeiro-ministro agiu como um verdadeiro pivot

Certo é que Costa não encontrou grandes “armadilhas” nas perguntas que lhe foram feitas e até “distribuiu” jogo pelos restantes elementos do Executivo

, passando perguntas aos ministros que se encontravam sentados atrás de si no palco. Confrontado com perguntas que se centraram nos temas da saúde, do emprego, dos salários e dos incêndios, o primeiro-ministro agiu como um verdadeiro pivot.

Há medidas que só a médio e longo prazo terão efeito

Durante as respostas ao painel pago, Costa disse que “há um conjunto de medidas” do actual executivo que “só a médio e longo prazo produzirão efeito”.

“A reforma e o cadastro da floresta são medidas que vão levar muitos e muitos anos para ser executadas e produzir efeitos”, afirmou, assumindo que as “ameaças” vão continuar a existir nesta área, porque as alterações climáticas aumentam a gravidade da situação e a cada ano de seca, aumenta o risco de o combustível acumulado arder, assim como cada ano em que a floresta está ao abandono significa mais combustível para arder.

Estas declarações por parte do primeiro-ministro surgiram depois de um dos participantes o ter questionado o facto de Portugal estar ou não preparado para atuar eficazmente numa situação de nova catástrofe, referindo-se aos incêndios.

António Costa referiu que até ao Verão todos têm de fazer um “grande trabalho” para diminuir situações e comportamentos de risco, já que ninguém pode mudar o comportamento da natureza.

“Temos de diminuir os riscos para que os fenómenos naturais não tenham consequências que este ano tiveram”, frisou.

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