Miguel A. Lopes / Lusa
Pelo menos 30 pessoas morreram no interior dos carros no IC8 durante o incêndio em Pedrógão Grande
As vítimas mortais do incêndio em Pedrógão Grande podem ser mais de 73, de acordo com uma nova lista elaborada por uma empresária depois de o Expresso ter revelado o nome de uma 65.ª vítima e de ter admitido que poderia haver mais mortes.
Esta nova lista é divulgada pelo jornal i com base numa contagem feita pela empresária Isabel Monteiro, uma mulher de 57 anos, natural de Lisboa, que garante que foi para o terreno contar o número de mortes do incêndio em Pedrógão Grande.
Esta lisboeta que pretendia fazer um memorial às vítimas diz ao i que já contou “mais de 80 mortos” e que destes, já confirmou 73 junto das famílias. Diz também que cruzou as informações recolhidas com dados das agências funerárias.
O Expresso noticiou no sábado o nome de uma 65ª vítima, não incluída na lista oficial de 64 mortes por ter morrido de causas externas ao fogo em si – a senhora de uma aldeia da zona afectada pelo fogo morreu atropelada quando fugia das chamas.
O semanário admitia que poderia haver ainda mais mortes, que podem não ter sido contabilizadas na lista oficial por não terem morrido de causas directamente relacionadas com o incêndio, isto é, queimaduras e inalação de fumo.
Na própria notícia que o ZAP publicou sobre o assunto, surge o testemunho de uma leitora, cujo pai terá sido uma destas vítimas indirectas do incêndio que não terão sido contabilizadas.
“De facto há mais. O meu pai faleceu no dia 20 de Junho, em Figueiró dos Vinhos, numa aldeia onde o fogo rodeou a sua casa, vítima de coração, após ter dado uma pequena caminhada. O facto de sentir tudo queimado à sua volta poderá ter motivado talvez emoção, desgosto e o coração não aguentou, pois tinha problemas cardiovasculares. A ajuda ainda demorou a chegar e o meu pai faleceu ao fundo das escadas da sua casa. O meu pai foi uma vítima indirecta da desgraça de Pedrógão Grande, Castanheira e Figueiró dos Vinhos e não entrou na contabilização das vítimas.”
A empresária Isabel Monteiro reforça esta ideia de que pode haver mais vítimas, em consequência do incêndio, garantindo ao i que já confirmou 73 mortes, depois de “ir de família em família, a abordar bombeiros” e até “a contar as campas frescas de um dos cemitérios”. “Parece macabro mas tive de o fazer”
, diz a empresária ao i.Isabel Monteiro revela ainda que as pessoas das zonas que visitou estão “muito pressionados politicamente” e que “há um estado de medo instalado” em torno desta questão do número de vítimas do fogo.
Costa diz que “já está tudo esclarecido”
A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) reiterou, neste domingo, que o incêndio fez 64 vítimas mortais, em “consequência directa” do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios “definidos”.
Os critérios que foram identificados para apurar as vítimas do incêndio são “mortes por inalação e queimaduras, resultantes do fogo”, adiantou à agência Lusa a adjunta nacional de operações Patrícia Gaspar.
O primeiro-ministro, António Costa, afirmou, por seu turno, que acredita que “já está tudo esclarecido pela ANAC e pelo Ministério da Justiça” relativamente à contabilização das vítimas mortais do incêndio.
O líder do executivo escusou-se a prestar mais declarações aos jornalistas que confrontaram António Costa com os novos dados quando o primeiro-ministro chegava a um evento organizado pela Federação de Coimbra do PS.
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Parece que está a fazer o jeitinho a alguém... Seria interessante saber qual a cor do clube a que pertence, colabora ou simpatiza? Será vermelho, rosa, azul ou laranja? Capitalizar na desgraça dos outros é baixo e feio!