António Cotrim / Lusa
O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, disse em entrevista à RTP que se o PS não apresentar um candidato às eleições presidenciais de 2021 votará num candidato do PCP ou do BE.
“Nunca apoiarei um candidato da direita. Ou apoio um candidato da área do PS, ou, não havendo um candidato da área do PS, votarei num dos candidatos da esquerda, nomeadamente no candidato ou candidata do BE, ou no candidato ou candidata do PCP”, afirmou Pedro Nuno Santos, em entrevista à RTP3, acrescentando que a interpretação que faz, enquanto socialista, é a de que o partido “deve ir a jogo em todas as eleições”.
O ministro considerou que “deve haver sempre um candidato da área do PS”, uma vez que “a importância que o PS tem, as presidenciais com a importância que têm na vida do país, justificariam que o PS tivesse um candidato”.
Contudo, se o Partido Socialista não apresentar um candidato, o atual ministro das Infraestruturas votará “ou num dos candidatos do PCP ou do Bloco de Esquerda”, garantindo que essa intenção é “claríssima”.
O governante explicitou também que não consegue “estar a fazer campanha com candidatos ou partidos de direita” e que a “visão da sociedade” que tem apenas é concebível com os partidos à esquerda.
“Não há nenhum problema com Marcelo Rebelo de Sousa [Presidente da República], só que eu sou socialista”, prosseguiu Pedro Nuno Santos.
Questionado também sobre uma possível candidatura da antiga eurodeputada socialista Ana Gomes, o ministro foi perentório em dizer que não tem “nenhuma informação sobre isso”, mas sublinhou que apoiará uma eventual candidatura proveniente da família socialista. “Se houver um candidato da área do PS, apoiarei esse candidato”, reiterou.
Reconheceu, porém, que o atual Presidente “conseguiu construir uma relação de proximidade com os portugueses que vale muito do ponto de vista democrático”.
Pedro Nuno Santos demarcou-se da posição de outros socialistas, como é o caso do primeiro-ministro, António Costa , que lançou, ainda que indiretamente, a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a Belém, ou do Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que já disse que votaria no atual chefe de Estado.
“Impossível” garantir todos os empregos da TAP
Na mesma entrevista à RTP3, Pedro Nuno Santos abordou a questão da TAP, afirmando que não é “impossível” garantir todo os postos de trabalho da companhia durante a reestruturação. O governante admitiu ainda que a empresa possa precisar de mais do que uma injeção de capital durante este processo.
“Podemos garantir postos de trabalho a todos os trabalhadores da TAP? Não. Estaríamos a mentir a todos nós e a enganar-nos a todos nós. Não temos operação, nem se perspetiva que [a empresa] venha a ter nos próximos anos uma operação que justifique a dimensão que a TAP tem. Nós temos de fazer este trabalho com cuidado e respeito pelos trabalhadores”, disse o governante, em entrevista à RTP3.
O também ministro da Habitação sublinhou que o serviço prestado pela TAP “é sustentado por mais de 10.000 pessoas” e, por isso, tem o “respeito e atenção” do Governo. Contudo, “a reestruturação está a acontecer”, prosseguiu Pedro Nuno Santos.
“Não há renovação de contratos a termo. Até julho, segundo disse o ainda CEO da TAP, saíram 600 trabalhadores”, disse, considerando esta como “uma redução relevante”.
O ministro das Infraestruturas disse ainda que “um Governo não tem nenhum prazer especial em injetar 1.200 milhões de euros numa empresa” e que não consegue garantir que esta será a única injeção na TAP.
“Não consigo e era desonesto se o estivesse a fazer. Nenhuma pessoa no mundo consegue ter a certeza sobre a evolução do setor do turismo, do setor da aviação e da economia em geral. Não temos esse conhecimento. Aquilo que sabemos ao dia de hoje é que nós chegamos com a TAP e com a Comissão Europeia (CE) a um valor fundado nas previsões e nos resultados da própria TAP que nós dá a garantia de que temos aqui uma folga do ponto de vista de liquidez para operar, para trabalhar, até para lá do final do ano e é nesse quadro que estamos a trabalhar”, explicou.
Pedro Nuno Santos sublinhou que a companhia aérea portuguesa “é fundamental para o país, para o desenvolvimento económico, para a criação de emprego, para a criação de riqueza e de recursos” que “ajudam a financiar” a “vida coletiva” do país.
“Deixar cair a TAP” significaria um “custo tremendo “para a economia de Portugal, “muito superior a 1.200 milhões de euros”, prosseguiu o governante socialista, exemplificando que a TAP “compra a mais de 1.000 empresas nacionais 1.300 milhões de euros anualmente”.
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Ideologia acima de tudo. O PS vai, aos poucos, tornar-se refém de extremistas e radicais de esquerda. Já revela alguns toques ditatoriais, quer de Costa, que não aceita opiniões contrárias, quer de Pedro Santos, com a sua arrogância quando as coisas não são como quer. O tabuleiro da política inclina-se de tal forma para a esquerda, que quando surge um partido verdadeiramente de direita e conservador, é automaticamente catalogado de extrema-direita. Nos media, só se vêem jornalistas, chefes de redação, editores e comentadores de esquerda. Na elite mediática, igual, e vozes discordantes são excomungadas e silenciadas. Enfim... Precisamos com urgência de equilibrar a balança, senão acabamos como a Venezuela ou com outro querido líder.