José Sena Goulão / Lusa
O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio
O PCP considerou hoje que a “confissão” do ex-secretário de Estado Paulo Núncio no caso das transferências para ‘offshore’ responsabiliza não só o CDS, mas também o PSD e o anterior Governo.
O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Paulo Núncio assumiu no sábado a “responsabilidade política” pela não publicação de dados relativos às transferências de dinheiro para ‘offshore’, pedindo o abandono das suas funções atuais no CDS-PP.
Na noite de sexta-feira, o antigo diretor-geral do fisco Azevedo Pereira garantiu ter por duas vezes solicitado autorização ao ex-secretário de Estado para publicar dados relativos às transferências de dinheiro para ‘offshore’, mas “em nenhum dos casos” esta lhe foi concedida.
“Esta confissão do Dr. Paulo Núncio confirma a responsabilidade do PSD e do CDS nesta questão das ‘offshores’, mas confirma também a política de dois pesos e duas medidas do Governo PSD/CDS”, disse à Lusa João Oliveira.
O anterior Governo “esmagou os trabalhadores e o povo com aumentos de impostos com cortes de direitos, com o empobrecimento forçado”, diz João Oliveira, ao mesmo tempo que fazia vista grossa a 10 mil milhões que saíam do país sem controlo por parte do Governo relativamente ao cumprimento de obrigações fiscais”.
O líder da bancada parlamentar do PCP considerou, por isso, que não é apenas Paulo Núncio e o CDS que devem ser responsabilizados, mas o PSD, o CDS e o seu Governo, “por esta política de dois pesos e duas medidas”.
“Portugal deve muito a Paulo Núncio”
A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, disse hoje que Paulo Núncio, ao assumir a sua “responsabilidade política” pela não publicação de dados relativos às transferências de dinheiro para ‘offshore’, revela “uma grande elevação de caráter“.
“Esta atitude mostra com clareza que Paulo Núncio está disponível para todo os esclarecimentos e demonstra elevação de carácter”, defendeu Assunção Cristas em declarações aos jornalistas em Gouveia.
A líder centrista considera que “o país deve muito a Paulo Núncio em matéria de combate à fraude e evasão fiscal”.
Assunção Cristas sublinha que a não publicação das estatísticas das transferências para paraísos fiscais não implica, necessariamente, uma perda de receita fiscal.
“Não há nenhum montante perdido. Se há possibilidade de recuperar algum montante isso deve-se ao aumento do prazo de quatro para 12 anos para recuperar o dinheiro”, ressalvou a antiga ministra.
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É tudo gente de muito carácter, por isso é bom que se defendam uns aos outros.