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A presidente da associação Raríssimas, Paula Brito e Costa

A ex-presidente da Raríssimas, que está a ser investigada por gestão danosa, acredita que todas as despesas que fez foram justificadas. E acrescenta: “não vou fugir por dois vestidos e gambas”.

Em entrevista ao Expresso, Paula Brito e Costa desmonta as várias acusações que lhe foram feitas na última semana, começando por explicar que o salário de três mil euros não está sujeito às regras aplicada às IPSS, porque não era remunerada como presidente da Raríssimas, mas como “empregada por conta de outrem“.

A ex-presidente critica o antigo tesoureiro, Jorge Nunes, um dos autores das denúncias, e explica que o Plano de Poupança Reforma (PPR) foi usado para substituir o prémio de produtividade, que nunca foi pago, e as despesas de deslocação deixaram de ser feitas assim que recebeu o BMW de serviço.

Quanto aos vestidos, a que Paula Brito e Costa se refere como “fardas de trabalho”, a diretora reconhece que não terá sido o procedimento mais correto, mas defende-se, argumentando que isso só terá acontecido uma vez.

Já sobre a conta de supermercado onde constavam 230 euros em gambas, Brito e Costa afirma que é alérgica a marisco, mas que estas foram usadas num jantar de trabalho em casa com “figuras internacionais” que iriam investir na associação. “Se os levasse ao Gambrinus, a conta seria muito maior”, justifica.

A ex-presidente da associação termina a entrevista relembrando que angariou muito dinheiro para a instituição e afirmando que “merecia um pedido de desculpas do país”.

Numa entrevista à RTP, no Sexta às Nove, Brito e Costa acusa a ex-vice-presidente da delegação da Maia de ter desviado fundos da associação e praticado irregularidades financeiras no valor de 270 mil euros.

Paula Brito e Costa relatou que, mal teve conhecimento da situação, a denunciou ao presidente do conselho fiscal e depois à assembleia-geral, que autorizou uma auditoria da empresa PKF à delegação do norte da associação. A auditoria, que ficou concluída em maio deste ano, descobriu irregularidades financeiras de mais de 270 mil euros na delegação do norte, que ditaram o afastamento de Joaquina Teixeira da instituição.

“Encontrámos muitas coisas. Encontrámos desvios de fundos, fraude fiscal, branqueamento de capitais, provavelmente fuga ao fisco, desvio de dinheiro da Raríssimas”, disse Paula e Brito Costa.

Segundo o relatório da auditoria, entre 2013 e 2016, Joaquina Teixeira terá desviado cerca de 131 mil euros de bolsas sociais destinadas a crianças carenciadas para o próprio filho e para familiares de colaboradores da região norte. A ex-vice-presidente terá também desviado dinheiro de peditórios no valor de cerca de 57 mil euros.

A PFK suspeita que este dinheiro possa ter sido depositado em contas de familiares de Joaquina Teixeira para fazerem donativos à Raríssimas que depois lhes permitiam ter benefícios fiscais em sede de IRC.

Contactada pelo Sexta às Nove, Joaquina Teixeira diz-se alvo de uma cilada, mas recusou dar uma entrevista a conselho do seu advogado. O Ministério Público confirmou que está a investigar o caso desde julho e que o processo está em Segredo de Justiça.

Questionada na entrevista sobre se houve algum político, além do agora ministro Vieira da Silva, que a tivesse ajudado tanto a tornar a Casa dos Marcos naquilo que é hoje, Paula Brito e Costa respondeu que “tanto, não”.

Disse ainda que o ministro deu “um incentivo” de meio milhão de euros à instituição, que foi “público e protocolado publicamente”. “Ficar-lhe-ei grata para o resto da vida”, sublinhou. Esta afirmação contraria o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que disse não ter concedido nenhum subsídio de meio milhão de euros à associação.

Sobre as razões do motivo da sua demissão, Paula Brito e Costa disse que o fez para “deixar a investigação decorrer dentro dos trâmites legais e com a seriedade” que o processo merece. Disse ainda que se demitiu pelos meninos da instituição, mas também por si, pela sua “legitimidade” e “dignidade”.

 

À pergunta sobre se não tem medo de vir a ser detida, afirmou: “Uma coisa lhe garanto, por causa de umas gambas e de dois vestidos eu não vou fugir para lado nenhum“.

Trabalhadores da Raríssimas pedem afastamento de Paula Brito e Costa

Os trabalhadores da associação Raríssimas pediram a “suspensão imediata” de Paula Brito e Costa, ex-presidente da entidade, num abaixo assinado entregue à direção da associação.

“Vimos requerer a vossas excelências a suspensão imediata da trabalhadora Paula Brito e Costa por parte de vossas excelências”, afirma-se no pedido, assinado por 90 trabalhadores e divulgado à imprensa ontem à noite.

Dizem os trabalhadores que “uma investigação rigorosa e célere impõe que a presença da ex-presidente, enquanto trabalhadora da instituição, mesmo que à distância, seja impedida”.

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