(dr) SIC
A marca que patrocina o polémico programa da SIC diz que está a considerar suspender o patrocínio, uma vez que o “tumulto social” causado pelo reality show não é compatível com os seus princípios.
De acordo com a Visão, a Corine de Farme, marca que patrocina o mais recente programa da SIC, está a considerar a “eventualidade de suspender o patrocínio” do polémico “Supernanny”, no qual uma psicóloga ensina os pais a lidar com as birras e mau comportamento dos filhos.
Numa resposta por email enviada a esta revista, Sara McLeod, gerente de Produto e Comunicação da marca, diz que “o tumulto social em torno do mesmo não é compatível nem com a imagem da empresa, nem com os objetivos comerciais”.
No entanto, os Laboratórios Sarbec Portugal, detentores da marca, destacam que a SIC “merece a sua confiança” e que continuam disponíveis para colaborar em futuros programas.
Quanto ao conteúdo do polémico programa, a empresa não se pronuncia sobre “questões de natureza ética”, pois não é da sua responsabilidade “nem tem condições para avaliar e julgar matérias tão sensíveis” como estas.
Esta sexta-feira, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures ordenou à estação de Carnaxide que retirasse todas as imagens do programa em que apareça Margarida, a primeira criança a figurar no reality show
emitido no passado domingo, num prazo de 48 horas., algo que a SIC recusou de imediato.Entretanto, a Procuradoria-Geral da República anunciou que o Ministério Público está a acompanhar a situação e a analisar todas as possibilidades legais de intervenção no caso. Segundo o Correio da Manhã, só uma ordem do tribunal pode obrigar a SIC a retirar imagens ou até a cancelar o programa.
“Terá de ser o MP a abrir um inquérito e a recorrer aos tribunais, se achar necessário. Só estes é que poderão obrigar a SIC a retirar imagens, a anular contratos assinados pelas famílias e até a pagar indemnizações, se for caso disso”, explica o jurista Rui Pereira ao CM.
À agência Lusa, a presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) diz que já recebeu 21 queixas contra o programa e pedidos de ajuda de familiares de algumas crianças envolvidas.
Sobre as preocupações manifestadas pelos pais, Rosário Farmhouse disse que “foram no sentido de não reconhecerem os comportamentos apresentados como sendo os habituais no dia a dia e o perigo da exposição e da má imagem que o programa estava a dar das suas crianças”.
Presente num total de 15 países, o programa retrata casos de crianças indisciplinadas, para as quais uma ama – no formato português, trata-se da psicóloga Teresa Paula Marques – propõe soluções para pais e educadores.
Na quarta-feira, o Bloco de Esquerda enviou duas perguntas ao Governo, pedindo que se pronuncie sobre se o formato viola os direitos das crianças.
[sc name=”assina” by=”ZAP” ]
Espero que a marca não se retire do programa por 21 queixas de pais ou familiares que não sabem educar as crianças e que agora ficam com vergonha que vejam o mau comportamento das suas crianças na televisão. Na altura em que decidiram participar deve ter dado jeito serem ajudados a controlar as crianças. Agora têm vergonha que se torne pública a sua história. Não tivessem assinado o contrato. A produção de um programa destes ainda custas muitos milhares de euros por episódio.