José Sena Goulão / Lusa

O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho

No primeiro dia do governo de António Costa, Passos Coelho e Paulo Portas voltam a ocupar os seus lugares de deputados no Parlamento. E a estratégia da agora oposição é a de desgastar o adversário e de minar a aliança da Esquerda.

Pedro Passos Coelho chegou ao Parlamento cerca de uma hora depois do início do debate que fluía em torno dos exames nacionais do 4.º ano.

Sublinhando que encara com “muita naturalidade” este regresso ao lugar de deputado, o ex-primeiro-ministro promete que assumirá o “papel na liderança” da oposição.

Já Paulo Portas, que chegou primeiro, preferiu não falar com os jornalistas.

Aquilo que parece certo é que a Coligação vai apostar no desgaste do governo socialista, nomeadamente explorando aquilo que divide as Esquerdas.

Essa ideia já foi bem patente no primeiro debate no Parlamento, no dia 1 do governo de Costa, com os deputados sociais-democratas e populares a lançarem farpas a comunistas e bloquistas, no sentido de espicaçarem as divergências que mantêm com o PS.

O objectivo é fazer cair o governo socialista o mais depressa possível

, deitando abaixo aquele que é, para muitos, um periclitante casamento de conveniência da esquerda.

Passos estará confiante de que pode deitar abaixo esta aliança em menos de um ano – o que, não acontecendo, acabará também por colocar em cheque o seu papel como líder do PSD.

Mas entre os novos aliados PS, Bloco de Esquerda e PCP também se conta com a possibilidade de dividir a Coligação.

E será interessante verificar como actuarão PSD e CDS no Parlamento, se assumindo um tom uníssono ou apostando em ideias próprias e num regresso à autonomia dos dois partidos.

É uma nova página na vida política nacional com um Parlamento renovado, com novas caras não apenas no PSD e no CDS, mas também no PS, que substituiu 21 deputados.

SV, ZAP