Passos Coelho diz que tem a “obrigação moral” de continuar na política, para representar os que se “sentem ameaçados” pelo governo de António Costa e para se tornar uma “alternativa séria” como primeiro-ministro que faça o país retomar o bom caminho.

Palavras deixadas pelo líder do PSD numa entrevista à SIC, onde Passos Coelho diz acreditar que vai voltar a ser primeiro-ministro. “Não só há condições, como acho que é necessário para o país ter uma alternativa séria“, constata.

“Não governei a olhar para as sondagens e não estou na oposição a olhar para as sondagens, esse é o perfil do Governo, não é o meu”, considera também Passos, acusando o Executivo de António Costa de viver “para a espuma dos dias, para a popularidade fácil” e não “para preparar o futuro”.

“Para salvar a minha pele não ando a comprometer expectativas no país, é exactamente ao contrário”, afiança ainda o ex-governante.

“Governo está a empurrar despesa com a barriga”

Passos sustenta que Portugal está “a regredir” com as políticas do governo socialista e diz que vivemos “um tempo que está a ser desperdiçado”, com um modelo económico que “está a revelar o seu falhanço”.

Para o líder do PSD só falar de um segundo resgate é já “um susto” e motivo de preocupação. E os números do governo, nomeadamente sobre a redução da despesa pública, são uma farsa, salienta Passos.

Segundo o ex-primeiro-ministro, “o actual governo está a empurrar com a barriga a actividade normal do Estado” para “suster artificialmente a despesa e criar nas pessoas uma ideia de que está tudo bem”.

“Mas não está” tudo bem, frisa Passos, notando que se o governo “não gasta agora vai ter de gastar para a frente”.

“Parece que nos saiu o totoloto”

Na preparação do Orçamento de Estado para 2017, e nomeadamente depois de Costa já ter assumido que vai haver um aumento de impostos, Passos acusa o Executivo de estar “a aumentar impostos aflito para cumprir as metas do défice”.

E confrontado com o facto de o seu governo de coligação com o CDS ter também aumentado os impostos para garantir o equilíbrio das contas públicas, Pedro Passos Coelho destaca que a “diferença” é que o seu Executivo não tinha “um tostão”.

Mas, aponta o presidente do PSD, “agora parece que temos, só ouço falar em aumentos, restituições, parece que nos saiu o totoloto ou herdámos de um familiar abastado“.

Passos ainda refere que convidou António Costa para ser vice-primeiro ministro, no rescaldo das últimas legislativas, “para ver se não deitávamos pela janela todos os sacrifícios que tínhamos feito”. “Ele disse que tinha uma alternativa melhor, mas está tudo a falhar”, constata.

É dentro deste cenário que o líder social-democrata refere que sente que tem “moralmente a obrigação de representar os que votaram” nele e “não se sentem representados neste governo e até se sentem ameaçados” por ele.

Passos desvaloriza “provocação” do PSD-Lisboa

Em termos da vida interna do PSD, Passos desvaloriza o caso da concelhia de Lisboa que apostou em José Eduardo Martins, um crítico da actual liderança do partido, para preparar o programa para as eleições autárquicas. Uma iniciativa que foi vista como uma provocação a Passos, tanto mais que o PSD ainda não tem um candidato a Lisboa.

“Não tenho de ser consultado sobre essa matéria, Deus me livre de me estar a pronunciar sobre matérias como essas pelo país inteiro”, reage Passos, atirando o caso para a gaveta.

O líder social-democrata assegura que tem tido “todo o apoio do PSD” e que “no dia em que achar” que está a mais, deixará o comando do partido. “Dentro do PSD, as questões sobre a liderança ou sobre a estratégia, são muito discutidas sem qualquer problema”, garante também.

Finalmente, Passos deixa elogios a Marcelo Rebelo de Sousa de quem diz que “tem actuado bem” na Presidência da República e “procurado criar um clima de cooperação e apoio ao Governo”.

SV, ZAP