Vítor Pires / portugal.gov.pt

Pedro Passos Coelho e António Costa

Passos Coelho está disposto a fazer cedências para convencer o PS a viabilizar um governo estável da Coligação PSD/CDS-PP. Mas isso poderá não bastar para convencer um António Costa inspirado nos governos da Finlândia e da Dinamarca.

O presidente do PSD admitiu, para chegar a acordo com o PS, acelerar a restituição dos salários no sector público e a remoção da sobretaxa de IRS, desde que sejam respeitadas as metas orçamentais.

Declarações feitas aos jornalistas após o encontro entre PSD, CDS-PP e PS para viabilizar a formação de um governo estável para a próxima legislatura.

Mas esta aproximação entre sociais-democratas e socialistas pode não ser tão fácil e viável como se poderia pensar, até porque líder socialista António Costa, que já recusou a ideia de um Bloco Central, está a jogar à esquerda e à direita.

Fontes socialistas garantem mesmo ao Diário Económico

que o líder do PS estará empenhado numa “tentativa de acordos à esquerda”, inspirando-se nos governos da Finlândia e da Dinamarca.

Na Dinamarca, os socialistas ganharam as eleições com 26,3% dos votos, mas quem governa é a coligação de centro-direita que ganhou a maioria parlamentar. O governo do país é liderado por aquele que foi o terceiro partido mais votado nas eleições, o Partido Liberal.

Factos relevados por uma “fonte socialista” citada pelo Diário Económico que salienta ainda que os “socialistas valorizam o facto do Executivo da Finlândia contar com um partido eurocéptico, apesar deste país do Norte da Europa estar no Euro”.

É este dado que ajuda a justificar as conversações socialistas com um PCP que defende a saída de Portugal do Euro.

Costa recorda PàF que o “quadro mudou substancialmente”

António Costa vai ser ouvido pelo Presidente da República na segunda-feira e na terça-feira tem encontro marcado com o Bloco de Esquerda.

Mas, para já, o líder socialista deixa recados aos sociais-democratas, dando a ideia de que não está disposto a facilitar-lhes a vida.

“Ainda bem que a PàF percebeu que tem de propor alguma coisa e não é preciso ser muito atrevido, basta propor”, atirou António Costa.

Uma reacção às palavras do líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, que frisou que PSD e CDS-PP vão fazer “um exercício um bocadinho mais atrevido” de tentar “seleccionar propostas do PS” para debater no próximo encontro, marcado para terça-feira.

António Costa promete analisar essas propostas com “boa-fé”, mas vai alertando a Coligação de que tem de compreender que o “quadro político parlamentar mudou substancialmente” desde as legislativas de domingo.

“Não vale a pena fazerem um esforço de fingir que nada de novo aconteceu”, acrescentou o socialista, porque “algo de muito importante aconteceu“, referindo-se à perda de maioria absoluta no parlamento de PSD e CDS-PP.

ZAP / Lusa