Tiago Petinga / Lusa
António Costa e Pedro Passos Coelho no debate da rádio para as Legislativas 2015, transmitido pela Antena 1, Renascença e TSF
No segundo debate entre os principais candidatos a Primeiro-ministro, mais esclarecedor do que o primeiro, Pedro Passos Coelho deu a volta, desta vez sem tocar no nome de Sócrates.
Com mais temas abordados e mais aprofundados, o segundo e último debate entre os dois antes das legislativas de 4 de outubro – transmitido em simultâneo nas rádios Antena 1, Renascença e TSF, a partir do Museu da Eletricidade, em Lisboa – teve Pedro Passos Coelho mais agressivo e António Costa mais nervoso, sem resposta satisfatória a várias questões, especialmente no que toca às propostas económicas apresentadas pelo Partido Socialista.
António Costa não foi também capaz de explicar em que prestações sociais vai cortar para obter a poupança de mil milhões de euros na Segurança Social que consta do seu programa eleitoral (que são sobretudo as pensões mínimas).
Na discussão sobre a Câmara Municipal de Lisboa, Passos tentou desconstruir a postura de Costa enquanto político que consegue reduzir a dívida – conseguiu, de facto, com a receita extraordinária da venda dos terrenos do aeroporto da Portela ao Estado.
Líder PSD culpa PS pela austeridade, Costa acusa Passos de ser passa culpas
O presidente do PSD responsabilizou os socialistas pela austeridade praticada em Portugal e ligou António Costa à “aventura” do Syriza grego.
Na discussão a propósito do tema “política europeia”, o Passos Coelho colou o secretário-geral do PS ao Syriza grego, dizendo que Costa saudou a vitória eleitoral de Alexis Tsipras, defendeu que governou nos últimos quatro anos de acordo com a linha europeia, sem “precisar de qualquer revisionismo”, e que foi forçado uma austeridade maior do que previa quando chegou ao executivo em junho de 2011.
António Costa reagiu, acusando Passos Coelho de ter uma atuação política “passa culpas” e sustentando a tese de que a austeridade é a ideologia do primeiro-ministro.
Passos reitera que este ano défice ficará abaixo de 3%, Costa duvida
O primeiro-ministro reiterou que o défice no final deste ano ficará abaixo de 3%, o que o secretário-geral do PS colocou em dúvida, referindo que nenhuma entidade acompanha essa previsão do Governo.
“Reafirmo aqui que nós até ao final deste ano ficaremos com um défice orçamental inferior a 3%, coisa que o senhor não consegue admitir e, mais do que isso, promete fazer lá mais para a frente”, afirmou Passos Coelho para António Costa.
O secretário-geral do PS respondeu: “Quanto ao défice, infelizmente, não é uma questão da minha convicção, é a que a sua meta para o défice este ano não é acompanhada por ninguém”. Depois, falou das contas de 2014: “Já o défice do ano passado, só com o fracasso da operação da venda do Novo Banco, vai ficar já igual pelo menos ao défice que o senhor herdou em 2011”.
Passos desafia Costa a explicar como poupa mil milhões em prestações sociais não contributivas
O presidente do PSD desafiou o líder do PS a esclarecer como tenciona poupar mil milhões de euros em prestações sociais não contributivas até 2019, mas António Costa remeteu esse objetivo para a concertação social.
A questão sobre as prestações sociais surgiu já na segunda parte do frente-a-frente entre Pedro Passos Coelho e António Costa, com o presidente do PSD a observar que uma poupança de mil milhões de euros em prestações sociais não contributivas, até 2019, tal como o PS propõe, “é muito dinheiro”, razão pela qual António Costa teria de explicar.
“Nós fixámos um objetivo quanto à redução”, reagiu o secretário-geral do PS, que remeteu depois a forma de cumprimento dessa meta para negociações em concertação social. Uma resposta que levou o primeiro-ministro a tirar a seguinte ilação: “Se não sabe dizer quais serão as prestações afetadas por isto [sujeição a condição de recursos], significa que lhe puseram um número que o senhor não compreende a que diz respeito”, disse.
Passos disponível para reformar Segurança Social com o PS mesmo se perder
O presidente do PSD acusou ainda os socialistas de porem em causa o pagamento de pensões em 2016, mas declarou-se disponível para discutir com o PS a reforma da Segurança Social, mesmo se perder as legislativas.
“Quer ganhe quer perca as eleições, estou disponível no dia seguinte para me sentar com o PS a discutir a reforma do sistema de pensões”, declarou Pedro Passos Coelho.
Em seguida, o presidente do PSD perguntou a António Costa: “Está disponível ou não está disponível para fazer esta reforma e para, portanto, no dia seguinte às eleições, quer ganhe quer perca, sentar-se connosco a discutir uma reforma séria da Segurança Social que nos permita dar previsibilidade e segurança aos nossos pensionistas?”.
O secretário-geral do PS respondeu negativamente: “A vossa proposta de cortar 600 milhões de euros aos pensionistas não terá o nosso apoio, não vale a pena sentarmo-nos. É uma pergunta retórica porque já sabe que não contará connosco”.
Costa e Passos só “em último lugar” admitem intervenção militar face à crise de refugiados
A questão dos refugiados terá sido dos poucos assuntos que reuniram pontos de vista convergentes: António Costa defendeu que somente “em último lugar” a atual crise de refugiados deve motivar uma intervenção militar, e o primeiro-ministro adotou posição semelhante, considerando que essa não é a solução.
Sobre a resposta da União Europeia ao presente afluxo de refugiados, António Costa falou de uma Europa “incompleta” e frágil”, enquanto Pedro Passos Coelho advogou que “a Europa precisa de se organizar melhor”.
Quanto aos refugiados a acolher por Portugal, o Primeiro-ministro referiu que o Governo PSD/CDS-PP aceitou o acolhimento de cerca de 1.500 pessoas de um “primeiro lote que ficou voluntariamente estabelecido entre todos” os Estados-membros da União Europeia.
“Relativamente ao segundo, não houve infelizmente nenhum acordo. Nós não colocámos nenhum obstáculo a receber mais cerca de dois mil refugiados, mas poderemos vir a receber ainda mais alguns, se isso for necessário”, adiantou o líder do PSD.
Costa critica “lata” e falta de humildade de Passos, líder PSD critica “retórica vazia” do PS
O secretário-geral do PS considerou que o presidente do PSD revelou “falta de humildade” e “lata”, designadamente atribuindo ao Governo a redução da dívida da Câmara de Lisboa, enquanto Passos criticou a “retórica vazia” de Costa.
Ao longo do debate, o secretário-geral do PS tentou sempre demonstrar que a via de austeridade seguida pelo Governo falhou nos resultados (controlo da dívida, desemprego e crescimento da economia) e que o primeiro-ministro não assume os resultados da sua ação, procurando antes passar a culpa para terceiros.
António Costa fez mesmo alusão a alguns episódios que se têm registado em recentes ações de rua da pré-campanha da coligação PSD/CDS, com a presença de Pedro Passos Coelho: “Eu julgava que depois desta semana, em que tem tido um contacto mais real e direto com o que se passa no país, viesse a este debate com maior humildade perante a retórica da sua descrição do país, porque todos os dias é confrontado com o desmentido desse oásis que nos desenha sobre o país”.
Passos Coelho, pelo contrário, ao longo do debate, acusou várias vezes o secretário-geral do PS de usar uma “retórica” sem correspondência com a realidade, de já ter dito tudo e o seu contrário no plano político e de falar consoante os auditórios que tem pela frente – uma referência que levou António Costa a responder de forma enérgica: “Doutor Pedro Passos Coelho, eu não minto”.
Costa, por sua vez, também sugeriu que esse estilo de atuação mais confrontacional hoje utilizada pelo presidente do PSD seria uma direta consequência do que se passara no primeiro debate entre ambos, na semana passada, nas televisões.
“Já sei que lhe disseram para ser embirrento. Também lhe devem ter dito para rir”, afirmou o secretário-geral do PS, numa nota de humor, com o líder social-democrata a ripostar: “Sabe, eu penso pela minha cabeça“.
“Não faça insinuações dessas. O senhor não precisa disso para fazer um bom debate”, reagiu o líder do PSD, com o Costa, mais à frente, a deixar novas farpas ao primeiro-ministro.
“Doutor Passos Coelho, não é a agressividade que lhe dá razão. O que lhe daria razão era reconhecer que aquelas estatísticas e os números que gosta de manobrar confrontam-se com a realidade”, apontou.
Um dos momentos tensos do debate aconteceu quando o primeiro-ministro reivindicou para o Governo a responsabilidade pela redução da dívida na Câmara de Lisboa, na sequência da compra dos terrenos do aeroporto da Portela por 277 milhões de euros – uma operação no âmbito do processo de privatização da ANA.
Na perspetiva de Pedro Passos Coelho, sem essa operação financeira, a dívida da autarquia da capital até teria aumentado nos últimos anos.
“É preciso muita lata”, respondeu o secretário-geral do PS, elevando o seu tom de voz e interrompendo o presidente do PSD.
Minutos depois, quando teve a oportunidade de reagir, Costa sustentou que o Governo não fez qualquer favor à Câmara de Lisboa com a compra dos terrenos do aeroporto e que, pelo contrário, foi a Câmara quem fez um “favor” ao executivo, possibilitando-lhe a privatização da ANA por três mil milhões de euros.
O secretário-geral do PS passou depois ao ataque, pegando no tema da fiscalidade, para criticar que, ao longo da última legislatura, houve “cerca de 82 alterações ao sistema fiscal, quase todas dirigidas para agravar os impostos sobre a classe média, em particular o IRS”.
“Em 2012, o memorando de entendimento [assinado por Portugal com a troika] obrigava um aumento da receita de 300 milhões de euros, mas o que houve foi um aumento de 750 milhões. Em 2013, só por via do IRS, o aumento foi 16 vezes superior ao necessário, acompanhado de um aumento do IVA cinco vezes mais do que o necessário”, afirmou, antes de se comprometer com um desagravamento fiscal global para a classe média, através da eliminação em 2017 da sobretaxa de IRS e com a revisão dos escalões do IRS.
ZAP / Lusa
Que povo burro que não vê nada á frente dos olhos que não seja a sua cor, seja partidária seja no futebol
"Durante o último Governo socialista, a dívida pública em percentagem do PIB cresceu quase 80%, especialmente a partir de 2009."
Fonte: http://www.publico.pt/economia/noticia/a-prova-dos-factos-o-ps-quase-duplicou-a-divida-publica-1707576
Eu não sou de nenhum, são todos vigaristas mas espanta-me tanta estupidez junta de pessoas que não vêm nada á frente dos olhos a dizer que a culpa é do psd, não, a culpa é 100%do PS, claro que o PSD poderia ter feito mais mas por falta de dirigentes inteligentes isto não melhora agora dizer que o PS não teve culpa?