António Costa e Passos Coelho protagonizaram uma acesa troca de acusações no debate quinzenal, no Parlamento, depois de o líder do PSD ter afirmado que o primeiro-ministro quis “enlamear” o anterior executivo a propósito do caso das offshores.
“Pelo menos, peçam desculpa pelas insinuações”, pediu Passos, depois de acusar o Governo de “tentar enlamear as pessoas” do seu Governo, no âmbito do caso das transferências para offshores e que o actual Executivo imputa à responsabilidade do anterior Executivo.
As acusações do presidente do PSD, já no final do seu tempo de intervenção no debate, foram vistas pelo primeiro-ministro, António Costa, como “uma encenação” para passar a imagem de que existe uma “degradação e uma crispação do ambiente parlamentar”, ideia que rejeitou.
Passos Coelho afirmou saber hoje que “não existe sobre as transferências para offshores nada que envolva a responsabilidade política” do anterior governo e que “mais de metade do que supostamente não passou pelo crivo do fisco devia ter passado já depois de o governo que liderou ter cessado funções”.
Na resposta, Costa acusou Passos de “desfaçatez” e a bancada do PSD de ser “ressabiada”; “há 15 dias esteve aqui a insultar-me, pôs o seu líder parlamentar a insultar-me”, atirou ainda o primeiro-ministro, acusando o líder social-democrata de ter feito sair de uma reunião do partido afirmações de que era “reles, vil, soez”.
“O senhor não perde oportunidade para denegrir os seus adversários”, lançou Passos no contra-ataque.
E o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, chamou “mal educado” ao primeiro-ministro, pedindo-lhe respeito pela sua bancada e lembrando Costa de que os sociais-democratas venceram as últimas eleições legislativas.
A tensão foi tanta que a líder bloquista, Catarina Martins, deixou reparos aos dois rivais políticos. “Não foi bonito o que se viu”, atirou, queixando-se de que ninguém percebeu o que aconteceu entre ambos e apelando aos dois dirigentes para falarem “português” e “das pessoas”.
Catarina Martins levou para o debate quinzenal a polémica em torno do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, insistindo que este deve ser afastado “porque se mostrou incapaz de independência”.
Este foi outro tema fortemente discutido entre Costa e Passos Coelho, com o primeiro-ministro a acusar o PSD de não ter defendido o Governador, mas de se “defender a si próprio por ter feito uma recondução, apesar de tudo aquilo que tem vindo a público e que já constava da Comissão de Inquérito”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Estes debates demonstram muito bem a qualidade intelectual dos nossos políticos isto e o respeito pelo eleitorado que os elegeu. não VOTO e não sou enganado.