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O Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho continua no centro da polémica, depois de se ter descoberto que, durante cinco anos, não pagou as devidas contribuições à Segurança Social. O ex-presidente do Instituto da Segurança Social acusa-o de “continuada fuga” às suas obrigações.

Edmundo Martinho, que presidiu ao Instituto da Segurança Social (ISS) enquanto José Sócrates foi primeiro-ministro, considera que o facto de Pedro Passos Coelho argumentar desconhecimento da lei, para não ter pago, não justifica a situação.

“Qualquer cidadão, particularmente quem tem um trabalho com estatuto de trabalhar independente, sabe que, todos os meses, tem que pagar as suas contribuições para a Segurança Social de acordo com o escalão de rendimento em que se situa e que está definido na lei”, salienta Edmundo Martinho em declarações à RR.

“Há aqui uma atitude continuada de fuga àquilo que é uma obrigação contributiva a que todos estamos sujeitos”, acrescenta o ex-presidente do ISS, a propósito do caso de Passos Coelho.

Foi o jornal Público que avançou que Passos Coelho esteve 5 anos sem pagar contribuições à Segurança Social, entre 1999 e 2004. O mesmo diário adiantou que o primeiro-ministro pagou os 4 mil euros em dívida, depois de ter sido questionado pelos seus jornalistas sobre este assunto.

Entretanto, discute-se também como é que o primeiro-ministro pagou uma dívida já prescrita. Uma pergunta que Marcelo Rebelo de Sousa

levantou no seu habitual comentário de domingo, na TVI.

“Como é que se paga voluntariamente uma dívida prescrita? Se prescreveu, não há dívida”, atirou o professor, notando ainda que, como trabalhador independente no período em causa, Passos Coelho “tinha de se registar e pagar” à Segurança Social. “Para pagar não é preciso ser notificado”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa.

A referência do comentador surge depois de o gabinete de Passos Coelho ter alegado que este “nunca teve conhecimento de qualquer notificação que lhe tenha sido dirigida dando conta de uma dívida à Segurança Social referente ao período em que exerceu a actividade de trabalhador independente, pelo que desconhecia a sua eventual existência”.

O primeiro-ministro lamenta ainda que sejam divulgados “dados pessoais e sigilosos relativos à sua carreira contributiva”, a que ele próprio nunca teve acesso “pelas vias oficiais”, particularmente “em ano eleitoral”.

SV, ZAP