O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou esta sexta-feira a atuação do Governo e do presidente da República no caso do cidadão estrangeiro morto nas instalações do SEF, e à reversão da privatização da TAP.
Numa homenagem ao industrial Alfredo da Silva, fundador da CUF, Pedro Passos Coelho deixou críticas contundentes à atuação do Governo e do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no caso SEF.
Numa das suas raras intervenções públicas desde que deixou a atividade política, o ex-primeiro-ministro diz que todos os dirigentes públicos fugiram às responsabilidades no caso da morte de Ihor Homeniuk, em março deste ano, nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa.
“Depois de meses de incompreensível inação após os factos serem conhecidos, com a autoridade do Estado seriamente abalada, e a confiança nas instituições públicas beliscada, tudo tem servido para disfarçar o indisfarçável“, acusou o ex-governante.
Passos Coelho apontou ainda a “superior dificuldade em admitir as falhas graves incorridas por não se ter atuado prontamente com diligência e sentido de defesa do interesse público”.
O ex-primeiro-ministro criticou a “incompreensível relutância” dos responsáveis políticos em “defender o Estado da fuga às responsabilidades dos seus dirigentes, que antes preferem lançar o opróbrio injusto” sobre o SEF, “nomeadamente apontado para o seu esvaziamento funcional em vez da simples e pronta assunção de responsabilidade”.
Tirar à Saúde para dar à TAP
O ex-primeiro-ministro teceu ainda críticas ao que diz ser a “insustentável leveza da irresponsabilidade pública” do Estado, que se prepara, “se obtiver autorização em Bruxelas, para canalizar o que lhe falta na Saúde, Educação, na Ciência ou na ajuda à Economia, para injetar numa TAP redimensionada, com milhares de despedimentos inevitáveis, e menos aviões, e menos atividade”.
Segundo Passos Coelho, o Governo não vai no entanto explicar ao país que “apenas o fará porque reverteu uma privatização que vários governos procuraram realizar, embora só um tivesse conseguido concretizar“.
Esta fatura “vai ser suportada por muitos anos, por muitos governos e demasiados contribuintes a quem o Estado não vê hoje com respeito nem parcimónia”, concluiu o ex-governante.
As declarações de Pedro Passos Colho surgem dois dias depois de também o ex-presidente da República, Cavaco Silva, ter lançado duras críticas à reversão da privatização da TAP pelo Governo de António Costa.
Desafio arrogante e “puro passa-culpas” do Governo
Pedro Passos Coelho criticou também esta sexta-feira a postura de “passa-culpas” que considera que caracteriza o atual Governo, assim como os casos “lamentáveis de fuga às responsabilidades” e de “ausência de humildade”.
“Chega a ser chocante ver responsáveis políticos e governantes a cederem ao autoelogio e ao desafio arrogante, quando não ao puro passa-culpas, em vez de assumirem responsabilidades, tanto por fracassos, como por verdadeiros escândalos que afetam a reputação externa do país e abalam a confiança dos cidadãos nas suas instituições”, considerou Pedro Passos Coelho.
Passos Coelho apontou ainda as declarações de João Costa
, Secretário de Estado Adjunto e da Educação, que considerou que os maus resultados dos alunos portugueses do 4.º ano no Trends in International Mathematics and Sciense Study (TIMMS) são devido às políticas do ex-ministro da Educação, Nuno Crato.Este é “um dos casos lastimáveis de fuga às responsabilidades e da ausência de humildade para corrigir políticas que, manifestamente, se revelaram desadequadas”, atenta o ex-primeiro-ministro no discurso do encerramento da conferência “Globalização em português: Revoluções e continuidades africanas”, a que a agência Lusa teve acesso.
“O facto de o atual governo ter preferido culpar o Governo que chefiei, e que já terminou funções há mais de cinco anos, por estes resultados, que incidem sobre o percurso escolar de alunos que iniciaram os seus estudos já no âmbito das reformas introduzidas pela atual equipa governativa, além do ridículo, apenas serve para sublinhar como o populismo e o facilitismo podem animar o debate político”, prosseguiu Passos.
Esta postura do executivo liderada pelo socialista António Costa, criticada pelo ex-primeiro-ministro, acaba “por desqualificar as políticas públicas e por impor um ónus sobre as futuras gerações que enfraquece” o país, acusa Passos Coelho.
No passado dia 8 de dezembro, João Costa, atribuiu os maus resultados obtidos na disciplina às políticas educativas do antigo ministro da Educação. Em seu entender, houve mudanças feitas pela equipa de Nuno Crato que geraram “maiores dificuldades na aprendizagem”.
“Nunca, na história da nossa democracia, se assistira a um passa-culpas deste nível”, lamentou o ex-ministro da Educação, Nuno Crato, que é também professor catedrático de Matemática, a propósito de declarações hoje divulgadas do secretário de Estado da Educação, João Costa.
Nuno Crato considerou que “depois de quase uma década de melhorias contínuas que nos levaram, em 2015, aos melhores resultados internacionais de sempre, tanto no PISA como no TIMSS, esta é uma descida que exige ser muito seriamente analisada”.
O TIMMS – Trends in International Mathematics and Science Study, recentemente divulgado, mostra que os alunos pioraram o seu desempenho a Matemática, tendo descido de 541 pontos nas provas de 2015 para 525 pontos, numa escala de 1 a 1000.
[sc name=”assina” by=”Armando Batista, ZAP” url=”” source=”Lusa”]
Eu acho que o PPC só volta quando acontecer a quarta bancarrota e o costa for chamar a troika.