(CC0/PD)

No século XIX, a passadeira era usada como tortura em prisioneiros.

Enquanto hoje a passadeira de corrida é usada de bom grado para a prática de exercício físico, antigamente era usada por prisioneiros como forma de castigo.

Alguns, com mais vontade do que outros, usam a passadeira em prol de uma vida mais saudável, para perder peso ou simplesmente por gosto pelo exercício físico. No entanto, a passadeira tem um historial de tortura, desconhecido por muitos. Com um aspeto obviamente diferente do que tem nos dias de hoje, as passadeiras eram usadas nas prisões.

Estas eram usadas em grupos, com até duas dúzias de prisioneiros a conseguirem usá-las ao mesmo tempo. Em vez de correrem sem objetivo, a passadeira alimentava um mecanismo que moía grãos ou bombeava água. Alguns prisioneiros usavam a passadeira durante oito horas seguidas, naquela que era uma verdadeira prova de esforço.

Na altura em que foi inventada, em 1822, a passadeira era uma espécie de cilindro, com degraus em vez de um piso reto. A máquina foi descrita no livro “Regras para o Governo de Gaols, Casas de Correção e Penitenciárias”. A estrutura era assente em água e, com cada passo, “movia-se como uma corrente sobre as tábuas de flutuação

“, explica o Wirecutter.

Apesar do ar tortuoso que pode espelhar, a passadeira era muito mais ligeira do que os outros métodos de punição como o enforcamento ou o exílio nas colónias britânicas. A esperança dos diretores das prisões era que o trabalho duro numa passadeira pudesse reabilitar um criminoso.

The Telegraph / Wikimedia

Oscar Wilde chegou a ser sujeito a esta tortura.

O famoso escritor, poeta e dramaturgo britânico Oscar Wilde chegou a ser sujeito a esta tortura. Num dos seus poemas falou sobre o tempo em que esteve preso, referindo-se à passadeira como “moinho”:

Batemos as latas, e berramos os hinos,
E suamos no moinho:
Mas no coração de cada homem
O terror ainda estava lá.

Wilde acabaria por morrer apenas três anos depois de ter saído da prisão, com 46 anos. O uso da passadeira era menos comum nos Estados Unidos, mas ainda chegou a ser usada em muitas cidades da costa leste americana. Na viragem para o século XX, entrou em desuso e acabaria por ser abandonada.

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