Mário Cruz / Lusa
O deputado do Chega, André Ventura
Os partidos decidiram não avançar com o voto de condenação às palavras de André Ventura. O líder do Chega defende que as escreveu com ironia e recusa-se a pedir desculpas.
Os partidos com assento parlamentar decidiram, esta manhã de quinta-feira, não avançar com um voto de condenação às declarações do líder do Chega, André Ventura sobre Joacine Katar Moreira, a deputada única do Livre. No entanto, os deputados condenaram as palavras do deputado, concordando com as declarações do presidente da Assembleia da República.
Eduardo Ferro Rodrigues considerou que as “declarações xenófobas” de André Ventura, sugerindo a deportação da deputada do Livre, Joacine Katar Moreira, “merecem a mais veemente condenação” e que “o ódio não pode ser uma arma política”.
Joacine apresentou uma proposta para a restituição de património existente nos museus portugueses aos países de origem das antigas colónias de Portugal e, em reação, o líder do Chega propôs que a deputada do Livre seja “devolvida ao seu país de origem”.
Segundo o jornal Público, BE, PAN, PEV, PS e PCP condenaram publicamente as declarações de André Ventura, referindo a sua conotação racista e xenófoba. Por sua vez, PSD, CDS e Livre não prestaram declarações em relação assunto. João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, não quis prolongar a discussão do tema, embora condene “inequivocamente todas as formas de discriminação, em particular o racismo”.
O Partido Socialista, que inicialmente apelou ao voto de condenação das declarações de Ventura, explicou o facto de agora não ter votado para avançar com a proposta. “Dar mais espaço para voltar a manifestar-se e a reproduzir também não nos parece que seja adequado”, salientou Pedro Delgado Alves.
João Oliveira, do PCP, também explicou a visão do seu partido: “É preciso condenar essas declarações pelo seu caráter abjeto, devem ser deitadas para o caixote do lixo da história, mas não devem ser alimentadas as polémicas que as possam promover
“.“Havendo posição clara da conferência de líderes e do Presidente da Assembleia da República, consideramos que este caso fica encerrado e a condenação fica para a história. Os atos ficam com quem os pratica“, disse Pedro Filipe Soares, do Bloco, citado pelo Observador.
André Ventura, que está no centro de toda esta polémica, não cedeu e recusou-se a pedir desculpas pelo que disse. Em sua defesa, o líder do Chega diz que as suas palavras foram escritas no Facebook com ironia. “O que considero ofensivo é quem permanentemente ataca a história de Portugal e coloca os portugueses com o anátema de criminosos, imperialistas e colonialistas”, atirou.
Na sua ótica, só não percebeu que era ironia “quem quis criar polémica”. Em relação à proposta do Livre de devolver o património das ex-colónias em museus portugueses aos seus países de origem, Ventura diz que há uma “tentativa de reescrever a história” e “abrir a ferida muito perigosa que é a da guerra colonial e do imperialismo”.
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Fazes bem não entres no cinismo da esquerda ele que levem os ciganos para o palácio de Belém para junto do Marcelo tem lá muito espaço.