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Birgitta Jónsdóttir, líder do Partido Pirata da Islândia

O Partido Pirata da Islândia, fundado em 2012 como movimento de protesto, está atualmente em vias de entrar no governo, com 43% das intenções de voto.

Nas eleições legislativas de 2013, o Partido Pirata obteve 5,1% dos votos e elegeu três deputados, tornando-se o primeiro partido pirata do mundo a ter representação parlamentar.

A subida nas sondagens ocorre depois de o escândalo dos Panama Papers ter revelado contas de vários empresários e políticos islandeses em paraísos fiscais, incluindo o primeiro-ministro Sigmundur David Gunnlaugsson, que se demitiu na terça-feira da semana passada, reforçando o cansaço dos eleitores em relação do sistema político e financeiro.

Como outros partidos piratas, o Partido Pirata da Islândia defende uma reforma dos direitos de autor, mais liberdade de partilha de ficheiros na Internet, a defesa das liberdades cívicas e mais transparência na política.

“Não podemos prever se vai continuar assim ou não, mas vemos que as pessoas gostam do nosso estilo, da nossa abordagem”, disse à agência France Presse Asta Gudrun Helgadottir, uma das deputadas do partido no parlamento.

Birgitta Jonsdottir, 48 anos, ativista do portal Wikileaks e poetisa, fundou o partido em 2012, depois da dissolução do Movimento Cidadão, outro pequeno partido defensor da democracia direta pelo qual tinha sido eleita para o parlamento em 2009.

Depois da eleição de três deputados, o partido continuou a surpreender os observadores políticos, conseguindo muito mais apoio político do que outros chamados partidos de protesto criados após a grave crise financeira de 2008.

Para os seus militantes, a razão é o que os diferencia dos partidos tradicionais.

“Noutros partidos, quando és jovem e te queres envolver na política, começas por ouvir os discursos dos líderes e aplaudir. Aqui não é assim. Toda a gente participa, toda a gente pode apresentar propostas e elas são debatidas”, afirma Karl Hedinn, um militante de 21 anos.

O partido tem uma estrutura horizontal, em que a única hierarquia é a existência de uma comissão executiva, constituída por sete membros, sete suplentes e uma presidência rotativa.

Na Islândia, nenhum partido obteve uma maioria parlamentar desde a independência, em 1944.

ZAP