Livre
Joacine Katar Moreira, Partido Livre
Nas eleições deste domingo, das quais o PS saiu vitorioso sem maioria, fez-se história no que toca a representatividade no Parlamento: pela primeira vez, foram eleitas três deputadas negras, por três partidos diferentes e por Lisboa.
As três recém-eleitas defendem o combate ao racismo e partilham raízes na Guiné-Bissau.
Joacine Katar Moreira (Livre), Beatriz Gomes Dias (Bloco de Esquerda) e Romualda Fernandes (Partido Socialista) são as mulheres que protagonizam esta mudança no paradigma da Assembleia da República, escreve o jornal Público esta segunda-feira, dando conta que todos os partidos que estas deputadas vão representar têm nos seus programas eleitorais o combate ao racismo.
Joacine Katar Moreira, 37 anos, é a primeira mulher negra a assumir a liderança da lista de um partido político em legislativas. Em entrevista ao ZAP, no âmbito das eleições e ainda antes de ser eleita, frisou que a AR precisa de maior representatividade.
“Estava na hora de avançarmos no sentido de a Assembleia da República começar a ser a imagem das nossas sociedades. Necessitamos de uma Assembleia da República onde todas as vozes são representadas, onde todas as reivindicações estão representadas”, afirmou Joacine, que é formada em História e tem histórico no ativismo anti-racismo.
Também Beatriz Gomes Dias, de 48 anos, eleita como número três da lista do Bloco Esquerda e professora de Biologia, vem do ativismo anti-racismo.
Ao Público, recordou que “a representatividade”, uma das reivindicações dos movimentos sociais, “não se esgota com a eleição de três deputadas”: “Faltam outros representantes das comunidades racializadas (…) Esta é uma conquista histórica que acontece na sequência das lutas emancipatórias”, sublinhou.
Já Romualda Fernandes, jurista de 65 anos, tem um percurso ligado às políticas da imigração. “A partir de agora nós, mulheres negras, cada vez que olharmos para a escadaria da Assembleia da República não nos iremos ver apenas com baldes e esfregonas para limpar: estamos lá dentro, temos voz e podemos sonhar”, relatou ao Público uma mensagem que recebeu de uma amiga após a eleição.
O Público recorda ainda que a deputada social democrata Nilza de Sena, também afrodescendente, esteve noutras legislaturas, mas não participou nas eleições deste domingo. Da cena política saiu também o deputado centrista Hélder Amaral. Nenhum destes partidos tem na agenda medidas de combate ao racismo.
Mais mulheres, mais partidos e quase 100 estreantes
Também a Rádio Renascença traça o perfil daquela que será a nova constituição da Assembleia da República, que vai contar com muitas caras novas e mais mulheres – apesar de os homens continuarem em maioria.
Ao todo, há 94 estreantes na Assembleia da República, contra 132 repetentes. O PSD, enumera a RR, quase se estreou por completo: tem mais novos deputados (44) do que repetentes (33). O PAN apresenta três caras novas – três mulheres – que se vão juntar a André Silva. Já o PS conta com 35 estreantes para 71 repetentes e a CDU três para nove.
Por sua vez, o Bloco tem seis novos deputados e 13 repetentes. O CDS é o único partido que não tem uma única cara nova, todos os cinco deputados já estiveram antes na Assembleia da República.
A RR frisa que esta é ainda uma Assembleia da República ainda masculina e com uma média de idades a rondar os 48 anos.
As eleições deste domingo aumentaram também o número de partidos com assento parlamentar: Iniciativa Liberal, Chega e Livre vão estrear-se no Parlamento, que passa agora a contar com nove formações políticas.
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Não havia necessidade de usar a palavra negro, só faltou dizer quantos deputadas eram brancas.