António Cotrim / Lusa

Catarina Martins (BE) e jerónimo de Sousa (PCP)

No pré-pandemia, o Bloco de Esquerda e o PCP já se diferenciavam entre si. Agora, o surto conseguiu acentuar ainda mais as diferenças entre os partidos de esquerda.

De um lado, há um PCP que se focou nos direitos dos trabalhadores e se queixou de sofrer ataques de vários setores, dos grupos económicos à imprensa. Do outro, um Bloco de Esquerda moderado que procura assumir uma posição influente, mostrando maior sintonia com as posições do Governo.

Esta é a avaliação que o Expresso faz na sua edição desta segunda-feira, destacando as polémicas comemorações do 1.º de maio em que os dois partidos da esquerda assumiram posições contrárias.

Ao lado da CGTP, o PCP foi o símbolo da celebração e o alvo das críticas de quem não compreendeu a exceção feita às regras de circulação e ajuntamento de pessoas. Por sua vez, o Bloco optou por comemorar a data nas redes sociais.

Ao matutino, um dirigente bloquista referiu que “o PCP leu mal o momento e encurralou-se; tenta sempre dizer que a CGTP não é a sua correia de transmissão, mas neste caso ficaram os dois sozinhos na fotografia”. João Oliveira, do PCP, rejeita: “O que motiva essas críticas é uma desconsideração dos trabalhadores, não é um problema de fulanização deste partido ou daquele sindicato.”

Mas as diferenças não ficam por aqui. Na hora de votar a instauração do estado de emergência, a ex-geringonça também se fragmentou: enquanto que o PCP se absteve e acabou depois por votar contra, o BE esteve sempre a favor. Se o PCP apontou o dedo ao alarmismo que agiganta o medo, o BE acusou o partido vizinho de “desvalorizar” o problema.

Em tempo de emergência, o Bloco de Esquerda tentaram assumir o poder, enviando diretamente ao Governo as suas propostas para que as medidas fossem adotadas o mais rápido possível. Já os comunistas marcaram a diferença com a crítica ao estado de calamidade – que, para Jerónimo de Sousa, serve para “meter medo” – e os avisos sobre o perigo do regresso das políticas de “empobrecimento” da troika.

Em termos de comunicação, o fosso entre os dois partidos também é bem visível. O Bloco apressou-se a criar uma mensagem de vídeo diária, com Catarina Martins a apresentar as medidas do partido. Já o PCP optou por não alterar a sua comunicação, expressando as suas posições através de comunicados.

António Costa diz querer contar com ambos. No futuro, fica a dúvida se Bloco de Esquerda e PCP conseguirão mostrar sintonia.

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