Arquivo ITU

O ex-Primeiro-ministro José Sócrates

Os Panama Papers ajudam a traçar o mapa do dinheiro no domínio da investigação da Operação Marquês. É o que revela o Expresso, constatando que os documentos comprovam que as alegadas “luvas” pagas a José Sócrates passaram pelo “saco azul” do Grupo Espírito Santo (GES) no Panamá.

O Expresso refere que o “dinheiro do caso Sócrates veio do saco azul do GES”, notando que as supostas “luvas” que Sócrates recebeu através do amigo Carlos Santos Silva terão sido pagas pela Espírito Santo Enterprises, uma offshore com sede no Panamá.

Esta offshore é vista como o “saco azul” do GES porque permitiria fazer pagamentos sem que os destinatários dos mesmos fossem identificados. E terá sido a partir dela que terão passado as alegadas contrapartidas recebidas por Sócrates em troca de favores, como no caso do empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve.

O luso-angolano Hélder Bataglia, ex-presidente da Escom, terá servido de intermediário no processo, passando cerca de 12,5 milhões de euros recebidos do “saco azul” do GES para Carlos Santos Silva, e é citado pelo Expresso a notar que as “transferências foram feitas a partir da Espírito Santo Entreprises”.

Os advogados de José Sócrates refutam esta tese, considerando, conforme cita o Diário de Notícias, que o ex-primeiro-ministro “não tem, nem nunca teve, directamente ou indirectamente, designadamente através de offshores, qualquer relação negocial com o senhor Hélder Bataglia”.

“A criação e a divulgação destas novas “suspeitas” são, pois, totalmente infundadas, abusivas e caluniosas“, referem os advogados de Sócrates.

Salgado e Rendeiro terão comprado imóveis através de offshore

No âmbito dos Panama Papers, cujos dados têm sido divulgados a conta-gotas pelo Expresso e pela TVI, numa mega-investigação internacional, são ainda divulgados novos dados sobre os ex-banqueiros Ricardo Salgado e João Rendeiro.

A TVI adianta que Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, teria contas offshore nas Ilhas Caimão e no Panamá no valor de 37 milhões de euros, dos quais repatriou apenas uma parte, a partir de 2005, beneficiando de amnistias fiscais.

A estação revela ainda que João Rendeiro, ex-presidente do Banco Privado Português (BPP), adquiriu a sua moradia na Quinta Patiño, em Cascais, através de uma offshore criada pela Mossack Fonseca, a empresa de advogados no centro dos Panama Papers.

Essa offshore é a Penn Plaza Management Inc., criada em 1997 através da Gestar SA, uma empresa do GES com sede na Suíça, e que terá sido usada tanto por Rendeiro como por Salgado para adquirir imóveis em Portugal, nomeadamente lotes na luxuosa e cara Quinta Patiño, onde fica a residência do segundo.

A associação de Rendeiro à Penn Plaza faz parte de um processo em que o Ministério Público acusa o ex-banqueiro de branqueamento de capitais e de fraude fiscal por ter alegadamente desviado quase 30 milhões de euros do BPP em benefício próprio.

ZAP