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Em 2019, Portugal recebeu o triplo dos resíduos com amianto de países estrangeiros em comparação com o ano anterior. Menos de 1% destes resíduos foram encaminhados para aterros de resíduos perigoso.

Os resíduos com amianto, uma substância que pode causar cancro, enviados para Portugal por países estrangeiros, triplicaram no último ano. Em 2019, Portugal recebeu 1.684 toneladas de resíduos com amianto. Os dados foram revelados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O “lixo” com amianto chega de quatro países: Grécia, Malta, Nigéria e Omã, sendo que os últimos dois são novidades em relação a 2018. Menos de 1% destes resíduos com amianto foram encaminhados para aterros de resíduos perigosos e 99% para aterros de resíduos industriais não perigosos, escreve a TSF.

Os números anteriores só não são mais graves porque entretanto o Governo proibiu a importação de resíduos para eliminação em aterro até dezembro de 2020, salienta a coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus e do projeto SOS Amianto, Carmen Lima.

“Isto mostra que quem tem dinheiro para dar destino aos resíduos de amianto consegue fazê-lo desde que tenha dinheiro para pagar, mesmo sendo de um país distante, algo que é preocupante face à deficiente resposta que damos aos resíduos deste tipo produzidos em Portugal”, explicou, citada pela rádio.

O aumento no ano passado está relacionado com as “ofertas baratas dadas em Portugal para quem pretende depositar resíduos em aterros”, realça Carmen Lima. Como tal, a Quercus pede uma estratégia para limitar as deposições de lixo em aterro.

“Nós importámos 1.684 toneladas de resíduos com amianto porque os outros países não têm resposta para esses resíduos e têm de exportar para países financeiramente mais baratos”, disse.

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