berger_meister / Foter.com (CC BY-NC-SA)
Pode estar à porta a primeira greve aos deveres escolares em Espanha. É o que ameaçam fazer os pais do país vizinho, caso os professores recusem aderir à campanha para que não haja TPC em nenhum fim-de-semana do mês de Novembro.
A Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães dos Alunos (CEAPA) está decidida a marcar uma forte posição contra os deveres e está, assim, a promover uma campanha que procura sensibilizar toda a sociedade para a importância do “espaço familiar” que consideram ser afectado pelos TPC.
“Queremos passar mais tempo com os nossos filhos e filhas”, apela a CEAPA numa carta aberta publicada no seu site, onde se considera ainda que “a educação é muito mais do que o currículo escolar”.
“Não é suficiente ensinar-lhes conhecimentos e ajudá-los a passar exames, devemos educá-los, transmitir-lhes valores e tudo isso não é possível se não pudermos passar tempo com eles”, afiança a entidade que representa 12 mil associações de pais.
Argumentando que é importante que a escola “não invada o espaço” da família, a CEAPA apela assim a um boicote aos deveres durante os fins-de-semana de Novembro. E caso haja professores que não adiram à ideia, pede aos pais que façam greve aos TPC.
A ideia não é nova e em 2012, foi isso que fizeram os pais em França, num protesto contra a decisão de alguns professores que não cumpriam a normativa do Ministério da Educação que proíbe os deveres.
Em Espanha, algumas das comunidades autónomas já fizeram recomendações no sentido de que os TPC sejam “racionalizados”, conforme refere o jornal El País. Mas a CEAPA queixa-se de que os alunos espanhóis passam demasiado tempo a fazer deveres escolares.
“O escolar tem que ficar resolvido na escola”
, salienta o presidente da CEAPA, José Luis Pazos, no El País, queixando-se de que já há crianças do pré-escolar que “levam tarefas para casa”.A CEAPA argumenta que “reclamar os fins-de-semana de Novembro” sem deveres é uma forma de “começar a mudar as dinâmicas” no sentido de alterar “o actual modelo arcaico e desadequado”.
Políticos divididos
A Europa Press foi ouvir a opinião dos políticos espanhóis sobre o assunto e a deputada do Partido Popular, Sandra Moneo, critica a iniciativa da CEAPA e considera que “ser insubmisso relativamente aos deveres não é a melhor mensagem que se pode lançar aos alunos”.
“Os deveres devem ser um instrumento que permita reforçar aquilo que o aluno aprendeu na aula e a criar hábitos de estudo“, sublinha ainda Moneo.
Já o representante do PSOE na Comissão de Educação do Parlamento espanhol, Manuel Cruz, entende que é preciso “regular os deveres” como se faz noutros países, citando que “em França são proibidos” e que “na Finlândia não há deveres na Primária e no Secundário limitam-se a 30 minutos”.
Javier Sánchez, do Podemos, diz-se por seu lado “muito em sintonia” com a ideia da CEAPA, considerando que os TPC “não funcionam” e que, além do mais, são uma forma de “discriminação” dos alunos de famílias com mais baixo nível sócio-económico.
SV, ZAP
Um pouco como tudo na vida, se os TPC não forem usados com moderação, são uma autêntica praga, com possibilidade de efeitos nocivos no desenvolvimento pessoal e social das crianças. Dentro do possível, a maioria das tarefas de aprendizagem que têm a ver com conteúdos escolares devem ser exercitadas sobretudo em contexto de sala de aula.