O pai do atirador que matou 49 pessoas numa discoteca em Orlando, nos Estados Unidos, transmitiu tristeza pela decisão do filho, dizendo que “compete a Deus punir os homossexuais”.
Num vídeo divulgado esta segunda-feira, Seddique Mateen refere estar triste pela decisão do filho e descreveu-o como um “filho bom e educado”.
“Estou profundamente triste e transmiti isso ao povo da América”, declarou, em dari, o principal idioma falado no Afeganistão, mostrando-se incrédulo pelo facto do filho ter efetuado o tiroteio durante o mês santo do Ramadão.
“Compete a Deus punir os homossexuais. Não aos servos”, defendeu o afegão que vive nos Estados Unidos, sentado em frente de uma bandeira do seu país natal.
O progenitor de Omar Mateen é uma celebridade nos círculos políticos afegãos, através de um programa de televisão em que expressa opiniões, apresentando-se, por vezes, com vestuário militar.
As autoridades afegãs optam por algum distanciamento da família Mateen, dizendo não saber quando é que deixaram o país de origem.
“O que podemos dizer é que ele é um cidadão norte-americano de origem afegã. Vive nos EUA há décadas e é tudo o que sabemos pelos media”, disse à AFP uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que pediu anonimato.
Entretanto, as autoridades norte-americanas retificaram para 49 o número de vítimas mortais, menos uma morte do que tinha sido noticiado inicialmente.
O tiroteio aconteceu na madrugada deste domingo, na discoteca Pulse, em Orlando, quando Omar abriu fogo contra os clientes. O local é geralmente frequentado por homossexuais. 53 pessoas ficaram feridas.
Daesh já reivindicou ataque
O Estado Islâmico já reivindicou a autoria do atentado, considerado o pior tiroteio da história dos Estados Unidos, dizendo ter sido cometido por um “soldado do califado”.
“Deus permitiu ao irmão Omar Mateen, um dos soldados do califado na América
, realizar uma ghazwa [termo islâmico para designar um ataque] durante a qual conseguiu entrar num clube noturno de sodomitas na cidade de Orlando e matar e ferir mais de cem deles”, refere a informação transmitida pela rádio oficial do grupo terrorista.(dr)
O atirador de Orlando, Omar Mateen
Apesar do atirador ter jurado a sua lealdade ao Daesh e do caso estar a ser investigado como um ataque terrorista, o presidente Barack Obama já afirmou que as evidências mostram que não terá sido orquestrado a partir do exterior.
Fonte policial americana confirmou que Omar já tinha sido investigado por duas vezes pelo FBI por suspeitas de simpatizar com o movimento extremista mas que nunca tinham sido encontradas provas diretas.
A público veio também a ex-mulher do afegão, Sitora Yusifiy, que considera que o atirador era uma pessoa “instável e mentalmente perturbada”, escreve a BBC.
Em declarações à imprensa, a antiga esposa contou que, pouco tempo depois de se casar com Omar, percebeu que este era “bipolar e ficava irritado por qualquer coisa“.
Sitora relembrou ainda que era agredida com frequência e que foi a partir daí que começou a temer pela sua segurança.
“Não me permitia falar com a minha família, isolou-me deles. Mas os meus familiares sabiam do que se passava comigo e decidiram salvar-me dessa situação”.
ZAP / Lusa
Tá visto que a imbecilidade é hereditária... Punir Homossexuais? Porquê?