Miguel Guimarães / Facebook

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos enviou uma carta ao presidente da Assembleia da República na qual informa que se recusará a participar no processo da instituição de eutanásia.

Segundo a edição desta sexta-feira do jornal Público, o Conselho Nacional da Ordem dos Médicos enviou uma carta ao presidente da Assembleia da República e ao presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, com conhecimento ao Presidente da República, na qual informa que se recusará a participar em qualquer fase do processo da instituição de eutanásia.

“O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos INFORMA Vossas Excelências que se recusará a indicar ou nomear médico(s) para qualquer comissão que a legislação preveja e/ou a praticar qualquer tipo de ato do qual resulte uma colaboração e/ou participação, direta ou indireta, da Ordem dos Médicos em procedimentos preparatórios e/ou de execução de atos de ‘antecipação da morte a pedido'”, lê-se.

A posição da Ordem dos Médicos é justificada por se tratar de uma “matéria com a relevância jurídico-constitucional e ético-deontológica de inegável dimensão, a bem da transparência das relações institucionais com os órgãos de soberania”.

Na missiva, a OM lembra ainda que os projetos de lei já aprovados na generalidade prevêem a constituição de uma comissão, em que participaria a Ordem dos Médicos, à qual compete em particular a “emissão do parecer final que poderá determinar a provocação da morte de uma pessoa”.

Isso faria com que, na prática, a Ordem estivesse “a participar e intervir num procedimento administrativo que poderá terminar com a prática de um ato – eutanásia ou suicídio assistido – que a Ordem dos Médicos considera não poder ter lugar na prática médica segundo as leges artis e a ética e a deontologia médicas, contribuindo, assim, dessa forma, para que sejam violadas as normas constitucionais, legais e regulamentares”.

A carta da Ordem dos Médicos foi recebida esta quarta-feira por Ferro Rodrigues, no mesmo dia em que foi entregue uma petição da Federação Portuguesa pela Vida com 95.287 assinaturas, pedindo a realização de um referendo sobre a despenalização da morte a pedido.

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