Miguel Guimarães / Facebook

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

Portugal pode tornar-se no segundo país do mundo a usar hidroxicloroquina como forma de prevenção de Covid-19. A Ordem dos Médicos (OM) estará a estudar essa possibilidade, de acordo com o Expresso.

O semanário refere que a OM consultou um “grupo de peritos” para averiguar sobre “a possibilidade da utilização preventiva de hidroxicloroquina para conter a expansão da pandemia de Covid-19 em Portugal”.

O assunto continuará em cima da mesa e já terá chegado aos ouvidos do Presidente da República, mas haverá ainda uma divisão entre as autoridades de saúde nacionais quanto ao uso da substância.

A hidroxicloroquina tem sido utilizada, desde há décadas, para tratar doenças auto-imunes como o Lúpus, bem como para tratar a artrite reumatóide. Trata-se de uma substância muito tóxica, mas que poderá ajudar a proteger pessoas de maior risco de infecção de Covid-19.

Diminuindo o tempo de permanência do vírus no organismo, o fármaco retarda a propagação da doença e, desta forma, poderia funcionar como um substituto para uma vacina “, analisa o Expresso, salientando, contudo, que ainda não há consenso entre as autoridades de saúde em Portugal quanto ao seu uso.

O ex-presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, no Porto, António Ferreira, defendeu o uso do fármaco como forma de prevenção num artigo de opinião no Jornal de Notícias. “O risco-benefício é francamente favorável”, justifica agora em declarações ao semanário.

António Ferreira recomenda a substância para “todos os doentes que não apresentem contra-indicações para tratamento com hidroxicloroquina e que tenham diagnóstico clínico de infecção, confirmado ou não por teste laboratorial”. O médico refere que devem receber “o tratamento precoce com esta substância, quer estejam internados ou em casa”. Além disso, diz que também “os seus contactos e as pessoas com risco elevado de mau prognóstico para a Covid-19, nomeadamente os idosos, e também os profissionais de saúde que tratam de doentes infectados e os efectivos das forças de segurança” o deveriam tomar.

O bastonário da OM, Miguel Guimarães, fala de uma “medida revolucionária”, em declarações ao Expresso, mas alerta que é preciso tomar todos os cuidados para que não haja uma corrida às farmácias em busca do medicamento.

Foi isso que aconteceu nos EUA depois de Donald Trump ter falado da hidroxicloroquina como um potencial “game changer“, apresentando-a como uma solução que poderia terminar com a pandemia.

Há dias, foi reportada uma morte nos EUA, no estado do Arizona, depois de um homem ter tomado fosfato de cloroquina para prevenir a infecção. Aquela substância é, habitualmente, utilizada para limpar aquários.

Em Portugal, a hidroxicloroquina já é usada no tratamento de doentes com Covid-19 por indicação da Direcção-Geral da Saúde, mas não de forma preventiva como a OM projecta fazer.

O Expresso constata que o uso do fármaco pode começar “sob a forma de um ensaio clínico” com voluntários, médicos e enfermeiros com idades mais avançadas como cobaias.

A Índia é o único país do mundo que utiliza a substância como forma de prevenção da Covid-19.

Em França, o Ministério da Saúde já deu o aval ao uso do fármaco por parte dos médicos quando o considerem relevante, enquanto a Agência Espanhola de Medicamentos desaconselha o seu uso fora de ensaios clínicos.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]