Saud al-Qahtani, aliado do príncipe herdeiro, terá falado por Skype com Jamal Khashoggi e com os indivíduos suspeitos da morte do jornalista. “Tragam-me a cabeça desse cão”, foi assim que deu a ordem.
“Tragam-me a cabeça desse cão.” A frase é de Saud al-Qahtani, um elemento destacado do núcleo mais próximo do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, e terá sido enviada por Skype a um dos homens que mantinha o jornalista saudita detido no consulado saudita em Istambul, na Turquia.
O grupo de 15 homens suspeitos pela morte de Jamal Khashoggi recebeu a ordem e cumpriu-a de imediato, de acordo com uma fonte árabe com relações aos serviços de informações e à família real saudita, citada pela Reuters.
Segundo conta o Observador, os últimos minutos de vida do jornalista saudita foram passados numa troca de insultos entre Khashoggi e o aliado do príncipe. Um dos 15 homens, alegadamente enviados por Riade para uma missão relâmpago na Turquia, segurava um telemóvel com o ecrã em frente ao rosto de Khashoggi, e do outro lado, numa conversa Skype, estaria Qahtani.
Esta não era a primeira vez que Qahtani conversava com Khashoggi. Aliás, o diário conta que foi um telefonema do aliado do príncipe saudita que levou o jornalista a perceber que estava na hora de tomar uma decisão.
“Foi um telefonema muito educado em que ele me disse que tinha instruções para me proibir de continuar a escrever a minha coluna de opinião“, contou Khashoggi ao Observador, em dezembro do ano passado.
Os dois voltaram a comunicar, desta vez no dia 2 de outubro, mas num tom muito mais duro. Após uma troca de insultos intensa, terá sido dada a ordem aos 15 suspeitos para matar o jornalista, segundo uma fonte turca ligada aos serviços de informações.
Seguiu-se, então, uma “operação atabalhoada e informal“. No entanto, não é claro se, durante os sete minutos em que o corpo de Khashoggi foi desmembrado e as várias partes dividas por diferentes malas, o aliado do príncipe se manteve ao telemóvel para assistir.
Apesar de ter seguido tudo à distância, Qahtani acabou por se tornar no principal bode expiatório de Riade a partir do momento em que, no sábado, o rei enviou sinais públicos de que o conselheiro do seu filho e outros oficiais tinham sido afastados do núcleo mais próximo de Mohammed bin Salman, escreve o Observador.
Esta foi a forma de a Arábia Saudita aliviar a pressão internacional sobre o país. No entanto, pode não ter passado de uma encenação.
Fontes da coroa saudita disseram à Reuters que Qahtani poderia ter sido detido, mas a conta do ex-conselheiro do príncipe, onde Qhatani soma mais de um milhão de seguidores, continuou tão ativa como antes. Este facto gerou descrédito relativamente à tese de que teria sido detido pelas autoridades sauditas.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=””]
Normalmente os cães mais ferozes costumam pedir as cabeças dos cães pequenos e indefesos.