José Coelho / Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães

Poucas horas depois de uma reunião de três horas que culminou no enterrar do machado de guerra entre António Costa e a Ordem dos Médicos, o bastonário Miguel Guimarães enviou uma carta aos associados a criticar o primeiro-ministro, acusando-o de não ter sido “fiel” ao que foi falado no encontro.

Numa carta a que o Observador teve acesso, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) considera que o primeiro-ministro não foi tão “enfático” no “retratamento” público que fez na conferência de imprensa que se seguiu à reunião em São Bento, como foi durante o encontro privado.

A reunião de emergência foi solicitada pela OM após a divulgação de um vídeo, que foi gravado em off pelo Expresso, onde Costa aparece a chamar “cobardes” aos médicos que terão recusado assistir os utentes infectados com covid-19 num lar de Reguengos de Monsaraz.

Depois do encontro de quase três horas em São Bento, Costa e Miguel Guimarães deram uma conferência de imprensa conjunta, onde o caso de Reguengos não foi abordado directamente e com o primeiro-ministro a concluir que “os mal-entendidos” foram ultrapassados.

Mas Miguel Guimarães não gostou do tom utilizado por Costa que não chegou a pedir desculpas declaradamente, vincando antes o “enorme apreço” e a “consideração pelos médicos portugueses e pela generalidade dos profissionais de saúde”.

O bastonário da OM refere na carta divulgada pelo Observador que o governante “não revelou a mensagem de retratamento da mesma forma enfática que aconteceu na reunião”.

Miguel Guimarães acusa Costa de não ter transmitido aos jornalistas “integralmente e fielmente aquilo que minutos antes tinha reconhecido à OM“.

O bastonário alega que durante o encontro, o primeiro-ministro reconheceu que “os médicos cumpriram a sua missão no lar de Reguengos de Monsaraz e em todo o país e que as declarações à margem de uma entrevista ao Expresso, vindas a público no fim-de-semana, não correspondem ao que pensa sobre os médicos”.

Miguel Guimarães também sublinha que foi “peremptório” no pedido para que Costa assumisse “uma postura diferente para com os médicos” de modo a “reconhecer o seu papel meritório e insubstituível em todo o decorrer da resposta à covid-19”.

Considerando que a reunião “foi exigente de parte a parte”, Miguel Guimarães refere ainda que “a OM enfatizou que o apoio por parte dos médicos de família ao lar de Reguengos foi cumprido”, mas ressalva que “o apoio continuado aos lares não pode ser atribuído” a estes profissionais “da forma cega que o primeiro-ministro a expressou”.

Na opinião do bastonário, “os lares do sector social e privado devem ter apoio médico contratado para garantir que os seus utentes são acompanhados de forma regular”.

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