Jose Mario Pires / Wikimedia

Clínica Universidad de Navarra.

A Clínica Universitária de Navarra, que pertence à prelatura da Opus Dei, defende que a homossexualidade e a promiscuidade são causadoras de gastroenterite.

No guia de atuação de urgência sobre esta condição médica, a Clínica Universitária de Navara menciona a homossexualidade e a promiscuidade como “dados epidemiológicos”. De acordo com a clínica, estes dados são “essenciais para orientar a etiologia” da gastroenterite e ajudam a determinar possíveis casos de proctite, salmonela ou gonorreia.

O código ético da clínica diz que todos os que lá trabalham devem “atuar de acordo com as normas da ética profissional e conforme os ensinamentos morais da Igreja Católica“. Dessa mesma forma, explica o jornal espanhol Público, todas as investigações devem respeitar os princípios da moral católica “relativos à sexualidade e à procriação humana”.

Também os tratamentos psiquiátricos e neurológicos da clínica “responderão aos princípios da antropologia cristã“.

“Não conheço nenhum protocolo de cuidado à gastroenterite aguda em emergências que contemple a homossexualidade ou os hábitos sexuais como causa, direta ou indireta, da diarreia aguda”, explicou ao diário espanhol Juan Luis Uria, especialista em medicina preventiva e saúde pública.

É a primeira vez que leio algo assim em quarenta anos de profissão. Não têm provas científicas e só pode ser entendido como chaves ideológicas”, acrescentou.

A clínica de Navarra, no nordeste de Espanha, pertence à Opus Dei, uma prelatura pessoal da Igreja Católica que, segundo o seu site, “ajuda os cristãos correntes a procurar a santidade no sue trabalho e nas suas atividades correntes”.

O guia de atuação, que inclui os protocolos para intervenções de emergência para esta condição médica, menciona ainda a importância de ter em consideração outros fatoress para além da homossexualidade e da promiscuidade, nomeadamente “viagens recentes” ou “ocupação do paciente”. Além disso, o consumo de água ou alimentos contaminados também é referido.

Em sua defesa, a clínica espanhola afirma que outros guias de referência, como por exemplo o da Associação Espanhola de Gastroenterologia, mencionam a “homossexualidade ou um paciente afetado com SIDA” como uma indicação de possível parasitocultura.

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