Miguel Gutiérrez / EPA

Protesto junto da sede dos Serviços Secretos da Venezuela

Fernando Albán, político e líder opositor de Nicolás Maduro, morreu na noite desta segunda-feira nas instalações da polícia secreta da Venezuela. As autoridades afirmam que se tratou de suicídio, mas a oposição não acredita.

A tese das autoridades é partilhada pelo próprio procurador-geral da Venezuela. Tarek William Saab, reforçou nesta terça-feira a informação das autoridades oficiais de que o líder opositor Albán cometeu suicídio, após a oposição acusar o regime de o ter assassinado.

De acordo com Saab, que falou à televisão estatal VTV, “o cidadão pediu para ir à casa de banho e, uma vez lá, atirou-se do décimo andar” da sede do Serviço Bolivariano de Inteligência. O procurador-geral anunciou que haverá uma “investigação completa”.

O ministro do Interior e da Justiça, Nestor Reverol, disse que Fernando Albán cometeu suicídio quando ia ser transferido para o tribunal, referindo ainda que o opositor estava “envolvido em atos de desestabilização dirigidos do estrangeiro”.

Fernando Albán estava detido desde 5 de outubro, sendo acusado de envolvimento no alegado atentado contra o presidente Nicolás Maduro, em agosto passado.

“Não é suicídio, é homicídio”

Na segunda-feira à noite, dezenas de pessoas participaram numa vigília com velas em frente à sede dos serviços secretos enquanto gritavam, sob a vigilância de polícias que os cercavam: “não é um suicídio é um homicídio”.

O partido da oposição venezuelano Primeiro Justiça (PJ), do vereador Fernando Albán, assegurou que o político foi “assassinado às mãos do regime de Nicolás Maduro”, recusando aceitar a tese de suicídio.

“Com profunda dor e sede de justiça dirigimo-nos ao povo da Venezuela, especialmente aos justiceiros de todo o país, para informar que o vereador Fernando Albán morreu assassinado às mãos do regime de Nicolás Maduro nos Serviços Secretos da Plaza Venezuela”, disse o partido num breve comunicado.

No comunicado, o partido indicou que Albán “era um homem forte e de profundos valores cristãos”, e acusou o procurador Tarek Saab de ser um “reconhecido verdugo da ditadura”.

Júlio Borges, fundador do partido Primeiro Justiça e atualmente exilado na Colômbia, disse, citado pela Renascença, que o líder da oposição estaria pressionado para denunciar “uma série” de pessoas.

“É impossível que uma pessoa de profunda convicção católica se tenha suicidado. Todos os que falaram com [Albán] viram-no sólido, forte e com convicções”, disse o dirigente da oposição venezuelana.

“Exigimos a verdade das coisas e declaramos que esta dolorosa situação demonstra o pior da ditadura: um sistema de morte que penetra na consciência de quem defende a liberdade na Venezuela”, adiantou o partido, que também pede justiça.

Albán era vereador no município de Libertador, na capital venezuelana, Caracas, sede de todos os poderes públicos e território considerado bastião do chavismo governante.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]