José Sena Goulão / Lusa
Os advogados de José Sócrates, João Araújo (D) e Pedro Delille, durante um encontro com a imprensa.
Dois altos funcionários da Infraestruturas de Portugal, um dos quais ex-deputado do PSD, são os mais recentes arguidos do processo. Ministério Público investiga projeto do TGV.
Dois altos funcionários da Infraestruturas de Portugal foram constituídos arguidos no âmbito do processo Operação Marquês, que tem como principal visado o antigo primeiro ministro José Sócrates.
Um dos arguidos – José Luís Ribeiro dos Santos – é um ex-deputado do PSD. O político e Luís Marques, o segundo arguido, estão a ser investigados por ligações ao projeto do TGV, segundo o Observador.
O ex deputado social-democrata – que entre 2002 e 2005 marcou presença na Assembleia da República, nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes – foi eleito por Santarém. É engenheiro de profissão e, no seu percurso profissional, passou pela construtora Lena. Integra agora a lista de arguidos da Operação Marquês que conta com um lote de 30 acusados, incluindo os dois mais recentes.
O antigo primeiro ministro José sócrates, principal arguido, é investigado por suspeitas dos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
Outras figuras de relevo visadas no processo são Armando Vara, ex ministro e ex administrador da CGD, Ricardo Salgado, ex presidente do BES, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, antigos administradores da Portugal Telecom, o empresário Hélder Bataglia, Carlos Santos Silva, amigo do antigo primeiro ministro e considerado testa de ferro de Sócrates, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, entre muitos outros, incluindo empresas.
A propósito dos quatro anos que passaram desde o início do processo, a defesa de Sócrates não deixou passar o dia em branco: “Quatro anos passados, em lugar de arquivar o inquérito, o Ministério Público ocupou-se em avolumá-lo com novas efabulações falsas e disparatadas que nem desmentido merecem”, referem João Araújo e Pedro Delille, numa nota enviada à comunicação social citada pelo Jornal de Notícias.
Os defensores de José Sócrates apontam o “esgotamento do prazo legal máximo para a duração do inquérito, que o Tribunal da Relação de Lisboa e o Juiz de Instrução fixaram, generosamente, em 19 de outubro de 2015″, lembrando as “sete prorrogações” concedidas pela Procuradora-Geral da República ao Ministério Público.
“E transformando um processo criminal numa espécie de albergue espanhol, para onde arrastou, sem medida nem critério, mais de uma vintena de arguidos – hoje, quiçá para celebrar mais um aniversário, mandou saber que a operação marquês ganhou mais dois arguidos -, sendo de crer que, na lógica desta investigação, ainda falta constituir arguidos cerca de 10 milhões de portugueses, que todos são suspeitos”, acrescenta o comunicado.
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Esse senhor João Araújo que não me coloque no rol dos ladrões que ele costuma defender porque eu, embora seja um dos dez milhões de portugueses de quem ele fala, nem sou político nem sou advogado. Os arguidos que vão aparecendo no caso "marquês", podem ser muito "inocentinhos" mas,... sinceramente, não enganam esses tais outros 10 milhões de portugueses que querem, à força, misturar com a "roubalheira" desses senhores.