Tiago Petinga / Lusa
O presidente do Benfica, Luis Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira dá o exemplo do convite feito pelo Benfica a 22 juízes e ao próprio António Costa, quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa, para assistir a um jogo da Liga dos Campeões na Tribunal Presidencial do Estádio da Luz como forma de rebater a acusação da Operação Lex.
O presidente do Benfica é arguido no caso que envolve também o juiz Rui Rangel, sendo acusado pelo crime de oferta indevida de vantagem.
O Ministério Público (MP) alega que Vieira ofereceu bilhetes a Rangel para jogos do Benfica em Portugal e no estrangeiro como forma de obter “favores” da parte do então juiz da Relação. Em causa está, especialmente, um processo relacionado com uma dívida fiscal de Vieira em Sintra.
Na defesa de Vieira na Operação Lex, aponta-se que “a presença de reputados ou prestigiados benfiquistas de vários quadrantes da sociedade nacional na Tribuna Presidencial do Estádio é uma tradição há muito seguida pelo Benfica“, conforme cita o Correio da Manhã (CM).
A título de exemplo, a defesa do dirigente refere o convite feito pelo clube a 22 juízes para assistirem ao jogo contra o Basileia (1-1), da Liga dos Campeões, em Novembro de 2011, no Estádio da Luz.
Entre esses 22 juízes havia dois conselheiros do Supremo, 18 desembargadores da Relação e dois juízes de direito, destaca ainda o CM.
Os juízes desembargadores Rui Gonçalves e Pedro Mourão terão sido alguns dos magistrados convidados, segundo o mesmo jornal que evidencia que “o primeiro absolveu o empresário José Veiga, arguido no processo Lex, e deverá ser investigado num processo extraído da Operação Lex”, enquanto que o segundo “é investigado pelo Conselho Superior da Magistratura, no âmbito de um processo disciplinar”.
António Costa, que era então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, também assistiu ao desafio no camarote presidencial da Luz.
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Ora aí está um bom argumento que irá convencer qualquer juíz que se preze! Pois a tradição é algo nobre e reveste qualquer acto por mais atroz e corrupto que seja com uma áurea de legalidade e de inocência. É tradição queimar o gato, é tradição oferecer relógios de ouro aos árbitros, é tradição oferecer carros aos padres, é tradição pagar jantares em troca de um emprego, é tradição a praxe, é tradição a mutilação genital (lá nos países onde isso se faz), é tradição oferecer bilhetes para o Europeu de futebol, é tradição os ex-ministros das Finanças terem cargos em bancos, é tradição os ex-ministros da economia terem cargos em empresas do sector energético... (não é que não tenham habilitações para isso, também têm habilitações, mas já agora como é tradição junta-se o útil ao agradável) É pá, há tanta tradição... Viva a tradição! Agora entendo quando dizem que Portugal tem Tradição!