Ian Langsdon / EPA
Um incêndio perto de Tarragona, em Espanha, já destruiu mais de seis mil hectares. Em França, o serviço meteorológico ativou, pela primeira vez, o alerta vermelho.
Um incêndio na cidade catalã de Torre del Espanol, perto de Tarragona, atingiu grandes proporções ao longo desta quinta-feira, tendo ardido já mais de seis mil hectares. Segundo o El País, o fogo continua descontrolado e os bombeiros descartam a hipótese de conseguir estabilizar a situação ainda hoje.
De acordo com a BBC, as autoridades afirmam que o calor intenso na zona do incêndio pode pôr em risco cerca de 20 mil hectares. Pelo menos 45 pessoas já foram evacuadas e cinco estradas foram cortadas. Para já, não há vítimas a registar.
“Hoje vai ser o pior dia da onda de calor e pedimos a todos os catalães que tenham precauções extremas. Não podemos permitir um novo incêndio e a subida de temperaturas pode complicar o atual”, lamentou o conselheiro do Interior da Generalitat, Miquel Buch.
O político catalão classificou ainda este incêndio como o “pior dos últimos 20 anos”.
Esta manhã, um rapaz de 17 anos morreu num hospital em Córdoba, no sul do país, por causa de um golpe de calor que sofreu quando estava a trabalhar no campo, segundo a autoridade regional de saúde da Andaluzia. O jovem começou a sentir-se mal, entrou numa piscina para se refrescar e ao sair começou a ter convulsões.
Na quinta-feira, um outro agricultor de 45 anos foi internado no Hospital de Múrcia também devido ao calor, encontrando-se em estado grave, e a imprensa espanhola dá ainda conta de um idoso de 80 anos que terá caído inanimado numa rua de Valladolid. Em Milão, Itália, um sem-abrigo de 72 anos também foi encontrado morto perto da gare central.
França ativa alerta vermelho pela primeira vez
O serviço meteorológico francês ativou, esta quinta-feira, pela primeira vez o alerta de calor extremo, com quatro departamentos no sul colocados no nível vermelho de vigilância devido às previsões de temperaturas de 42 a 45 graus nos próximos dias.
Criado a seguir à vaga de calor de 2003, o alerta foi ativado esta tarde pelo Méteo France e está em vigor até à tarde desta sexta-feira em quatro regiões situadas no sul do país: Bouches-du-Rhône, Gard, Hérault e Vaucluse. Este serviço estima que as temperaturas possam atingir os 45 graus Celsius nessas regiões, alertando que o fenómeno de calor extremo será “intenso”.
A temperatura bateu mesmo recordes absolutos num mês de junho, esta quinta-feira, ao registar-se 41,5 graus em Saint-Julien-de-Peyrolas, perto de Avignon, no departamento de Gard.
Entre alguns dos pontos mencionados pela Méteo France num aviso aos cidadãos está o facto de esta onda de calor afetar toda a população e não apenas as pessoas consideradas mais vulneráveis.
“Cada um de nós está ameaçado, mesmo as pessoas que estão de boa saúde” refere o site da instituição, embora o perigo seja “maior para os idosos, pessoas com doenças crónicas ou doenças mentais, pessoas que tomam regularmente medicamentos e pessoas isoladas”.
Já há registo de três mortes nas praias da costa sul associadas ao choque térmico.
O resto do país permanece em alerta laranja e as previsões mostram que esta onda de calor só vai abrandar a partir de domingo. Na tarde de quinta-feira, os termómetros atingiram entre 36 a 40 graus em diferentes regiões, sexta-feira poderão chegar aos 45 nos departamentos em alerta vermelho e continuar nos 39 de máxima no sábado.
Este episódio de calor fez com que a circulação diferenciada fosse ativada em grandes cidades como Paris, fazendo com que apenas circulem carros com matrículas recentes e menos poluentes.
Ao mesmo tempo, os comboios franceses estão a aceitar, de forma gratuita, cancelamentos de reservas e mudanças de bilhetes devido ao calor.
Os alertas para o consumo de água e outros conselhos à população continuam a ser difundidos pelos meios de comunicação e nos transportes. Algumas cidades, um pouco por todo o país, decidiram mesmo fechar as escolas durante quinta e sexta-feira.
Segundo cientistas consultados pela agência de notícias francesa AFP, a Europa está a ser afetada por uma onda de calor, com origem no deserto do Saara e que estará associada ao aquecimento global e a gases com efeito de estufa, afetando a maior parte dos países, com exceção de Portugal.
[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]
Será que ainda não é tempo de acordarmos para a realidade???
Quem é que ainda acredita em ondas de calor "naturais"??
Quem nos está a aquecer???
Quem nos está a matar de calor???
Com que objectivo nos fazem "isto"???