O novo balanço aponta para 213 mortos e quase 10 mil infetados com coronavírus, que já chegou ao Reino Unido. A China disse ser capaz de “derrotar” a infeção.

O surto do coronavírus na China infetou no país 9.692 pessoas e matou 213, de acordo com o mais recente balanço, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Outros 82 casos de infeção foram reportados por 18 países da Ásia, Europa, Médio Oriente, América do Norte e Oceânia, sete dos quais assintomáticos.

O Reino Unido confirmou, esta sexta-feira, primeiro caso de contágio no país. O teste foi positivo em duas pessoas da mesma família que apresentavam sintomas compatíveis com a infeção pelo novo coronavírus. É o 22.º país a confirmar casos de contágio.

A OMS declarou, na quinta-feira, emergência de saúde pública internacional. A decisão foi conhecida depois de o Comité de Emergência da OMS se ter reunido novamente, depois de há uma semana ter considerado prematura a emergência internacional. Ainda esta quinta-feira, falou-se da possibilidade de a China ter pressionado a OMS a não declarar emergência mundial devido ao novo coronavírus.

Esta é a sexta vez que a OMS declara emergência de saúde pública internacional.

Apesar do surto, a OMS opôs-se à restrição de viagens. Por outro lado, o Governo italiano suspendeu todos os voos provenientes ou com destino à China depois de confirmados dois casos no país do novo coronavírus.

A China disse esta sexta-feira ser capaz de “conter e derrotar” o novo coronavírus. “A China está confiante e capaz de conter efetivamente a nova epidemia de coronavírus e, eventualmente, derrotá-la”, declarou a Comissão Nacional de Saúde num comunicado publicado poucas horas após a decisão da OMS.

“O Governo chinês atribui grande importância à prevenção e controlo da pneumonia causada pelo novo coronavírus e tomou as medidas mais estritas para conter a epidemia”, sublinhou a Comissão Nacional de Saúde.

O organismo, acrescenta-se o comunicado, espera que “a comunidade internacional entenda e apoie os esforços da China para prevenir e controlar a epidemia e faça esforços conjuntos com a China para conter a epidemia e manter a segurança da saúde global”.

Na quinta-feira, partiu, a partir do aeroporto de Beja, o primeiro avião fretado pela União Europeia com o objetivo de repatriar os europeus que querem sair de Wuhan. Entre esses europeus estão 17 portugueses.

“Não tenham medo de ir às lojas chinesas”

A Liga dos Chineses pede aos portugueses que não tenham medo de ir às lojas ou aos restaurantes da comunidade. O presidente, Y Ping Chow, explicou, em declarações à TSF, que o objetivo é fazer uma espécie de campanha ou apelo, indo mesmo pedir a ajuda do Governo português e do Alto Comissariado para as Migrações para evitar que os consumidores se assustem com as notícias que chegam da China.

“Vamos pedir às entidades oficiais que nos ajudem a apelar para que não exista medo de ir ao restaurante chinês ou às lojas chinesas pois cá em Portugal ainda não há casos e nós estamos prevenidos e todos de boa saúde“, detalhou.

Y Ping Chow disse ainda que a meta é “ajudar a acalmar o povo português”, não porque já tenham notado receios, mas porque noutros países, nomeadamente em França, já se nota essa preocupação.

Para evitar eventuais contágios do coronavírus, a Liga dos Chineses está ainda a aconselhar quem chega da China nesta altura do ano a ficar isolado em casa durante 14 dias, o tempo estimado de incubação da doença antes dos primeiros sintomas.

O novo vírus, que causa pneumonia, foi detetado na China no final de 2019. Os sintomas associados à infeção causada são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

A ansiedade em torno da doença aumentou depois de um especialista do Governo chinês ter assumido que o novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infeções respiratórias em seres humanos e animais, é transmissível entre seres humanos. Até à data, as autoridades diziam que não havia evidências nesse sentido. A nova estirpe de coronavírus pode ter surgido em morcegos ou cobras.

Na sexta-feira, a China alargou a quarentena a 33 milhões de pessoas e, na quinta-feira, estavam três cidades em isolamento: Wuhan, o epicentro do surto, Huanggang, a cerca de 70 quilómetros de distância e Ezhou. As cidades foram fechadas aos transportes e os seus habitantes fecharam-se em casa em quarentena.

O cientista Xu Wenbo, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, disse que este centro já se encontra desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus “depois de isolar com sucesso a primeira estripe do vírus”.

Em Portugal, foi detetado o primeiro caso suspeito de infeção pelo novo coronavírus este sábado, que, após análises, deu negativo.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (CECD) considerou moderada a probabilidade de a nova pneumonia chegar ao espaço europeu.

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