Mário Cruz/ Lusa

Depois da aprovação penosa do Orçamento do Estado para 2021, a direita está pronta a apostar no fim da geringonça. Agora, partida em três.

O Bloco de Esquerda votou contra o Orçamento do Estado para 2021 e foi acusado de se juntar ao PSD, o PCP tentou levar a sua avante e o PS saiu vencido na questão do Novo Banco. O reboliço dos últimos dias levam a direita a sentir-se confiante em apostar no fim da geringonça, num futuro mais incerto do que nunca.

A ideia de que o Governo está no fim da linha e que a geringonça sai deste Orçamento fragmentada parece unir os partidos da direita, pelo menos nos discursos de encerramento do Orçamento.

Este será provavelmente o último Orçamento socialista dos próximos anos“, disse esta quinta-feira o deputado único do Chega, André Ventura, citado pelo Observador, afirmando que ficou claro que aqueles que deram a mão ao Governo agora se vão embora “dizendo que nunca tivemos nada a ver com isto”.

“O Governo sabe que não tem caminho para continuar“, acrescentou. “Não faltaremos à chamada e estaremos prontos para governar com dignidade este país”, disse Ventura, sublinhando que ao fim de um ciclo, segue-se outro. O que aconteceu nos Açores pode mesmo ter sido um primeiro passo.

João Almeida, do CDS, também criticou o facto de o Governo sair desta prova de fogo aos trambolhões, cada vez mais dependente do “anacronismo comunista e do radicalismo animalista”. Já Isaura Morais, do PSD, usou a expressão “a geringonça vai coxa

” para decretar o fim da atual solução política.

“É o fim do prazo de validade” do Governo, disse, acusando o Governo de ter cedido em tudo ao PCP com o objetivo de conseguir a viabilização do documento.

O Bloco de Esquerda não se arrepende do voto contra, muito por estar convencido de que, no futuro, o PS vai precisar de negociar à esquerda e, portanto, forçado a virar-se para o BE.

Já o PCP, que se manteve no barco até à última, garante que o futuro dependerá da “vontade política do Governo” para concretizar as medidas e dar resposta aos problemas do país. “A abstenção do PCP não se confunde nem a abre a porta àqueles que apostam numa crise política e numa alternativa de direita com velhos e novos protagonistas”, disse Jerónimo de Sousa.

Em entrevista à TVI, há uns dias, Rui Rio apostou que esta legislatura não ia chegar até ao fim e disse acreditar que está mais próximo de chegar a primeiro-ministro. Apesar de o Orçamento do Estado para 2021 ter passado, o futuro permanece nublado.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=””]