Manuel de Almeida / Lusa

O ministro das Finanças, João Leão

Na recta final das negociações para a proposta final do Governo para o Orçamento de Estado para 2021 (OE2021), vários empresários argumentam que a ideia de aumentar o salário mínimo nacional em cerca de 20 euros é de “uma falta de responsabilidade” e “quase impossível” na actual conjuntura económica.

O Governo anunciou, na semana passada, que pretende aumentar o salário mínimo nacional (SMN) em cerca de 20 euros em 2021. O objectivo é que o valor passe para 750 euros no final da legislatura, conforme as negociações que têm vindo a ser feitas no âmbito de uma possível “meia-geringonça” com o Bloco de Esquerda.

Ora, esse é um cenário “desajustado da realidade do país”, consideram empresários ouvidos pelo Eco.

Aumentar o SMN é de uma falta de responsabilidade quando as empresas estão a passar por uma catástrofe mundial, precisamos é de proteger as empresas”, considera à publicação económica o presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção (Anivec), César Araújo.

Já o director geral da Konica Minolta Portugal e Espanha, Vasco Falcão, diz ao Eco que “aumentar os salários quando os PIB das empresas estão a cair é quase impossível”.

Por seu turno, o CEO da Sun Energy, Raul Santos, acredita que “aumentar o salário mínimo para 750 euros até 2023” é “uma medida para ficar em standby“. “Não temos condições neste momento para o fazer” e até “pode provocar problemas à economia portuguesa”, destaca Raul Santos no Eco.

Já o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro, entende que “é importante resolvermos a produtividade para pagarmos melhores salários, reter talento em Portugal”, conforme declarações à mesma publicação.

Entre os empresários ouvidos pelo Eco, apenas o director geral da Continental Advanced Antenna Portugal, Miguel Pinto, se diz “a favor do aumento do salário mínimo, mesmo que seja um valor pequeno”. “Esta questão não é a mais ‘importante’, mas também faz algum sentido”, nota, frisando que “é importante que as pessoas tenham algum poder de compra” e sabendo que “o SMN em Portugal é baixo”

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Cortar impostos a empresas e à classe média

Além da questão do SMN, os empresários ouvidos pelo Eco abordam outras propostas para o OE2021, concordando na ideia de que é preciso cortar impostos para as empresas, assegurar a sua liquidez e apoiar a manutenção dos postos de trabalho em tempos económicos adversos.

O presidente da Barbot, Carlos Barbot, defende no Eco que o Governo deve “cortar impostos às empresas” e “baixar os impostos à classe média” como forma de garantir a entrada de “dinheiro na economia” e para “aumentar a velocidade da circulação do dinheiro”.

Baixar o IRC, por exemplo, era uma forma de as empresas se tornarem mais competitivas”, acrescenta Carlos Barbot.

Também o líder da AEP sublinha a importância da redução dos impostos, referindo a excessiva carga fiscal que existe em Portugal sobre as empresas como “mais um problema para a competitividade”, conforme declarações ao mesmo site económico.

Luís Miguel Ribeiro defende a “redução progressiva e programada da taxa normal de IRC com vista a estimular o investimento e o relançamento económico” e “linhas de crédito com boas condições para financiamento às empresas”.

O Eco apurou que o Governo está a ultimar a criação de “uma linha de crédito para financiar pagamento de impostos” destinada às empresas, com vista a incluí-la na proposta de OE2021.

O presidente da AEP também aponta que “o Estado deve ser um bom pagador e pagar atempadamente aos seus fornecedores”, considerando que “é uma forma de trazer liquidez às empresas”.

“Defendemos que as empresas que sejam fornecedoras do Estado e que tenham a receber dinheiro, quando tiverem impostos a pagar que possa ser feito uma contra corrente com o Governo”, destaca Luís Miguel Ribeiro.

O presidente da Anivec também nota a importância de apoiar a tesouraria das empresas para “manterem os postos de trabalho”.

“Não basta que as empresas sobrevivam”, aponta, por seu lado, o líder da Confederação da Indústria de Portugal (CIP), António Saraiva, destacando que “é preciso que mantenham a sua solidez e a sua capacidade para impulsionar a recuperação” económica.

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