O presidente norte-americano Barack Obama referiu-se ao aparecimento do grupo terrorista Estado Islâmico como uma “consequência não-intencional” da invasão ao Iraque em 2003, no mandato de George W. Bush.

As declarações foram feitas numa entrevista à Vice, publicada esta segunda-feira, onde o presidente dos EUA enquadrou pela primeira vez o aparecimento e posterior expansão do grupo terrorista no contexto das decisões de política externa americana, afirmando que se tratou de uma “consequência não-intencional” da invasão ao Iraque levada a cabo em 2003, durante a presidência de George W. Bush.

“O Estado Islâmico é uma consequência direta da Al-Qaeda no Iraque, que cresceu a partir da nossa invasão. É um exemplo de uma consequências não-intencionais, razão pela qual devemos apontar antes de disparar”, afirmou.

O presidente dos EUA declarou-se “confiante” quanto a conseguir “empurrar o Estado Islâmico para fora do Iraque”, sublinhando a força intervenção de uma aliança que conta com 60 países.

Durante a presidência de George W. Bush, os EUA invadiram o Iraque a 19 de março de 2003, com o objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein, numa guerra justificada pela suspeita de que o país estava a desenvolver armas de destruição maciça. A guerra terminou formalmente a 15 de dezembro de 2011, já no Governo de Obama.

Obama afirma que mesmo que o Estado Islâmico seja derrotado, existe uma grande preocupação com a insatisfação e a alienação sentida pelos muçulmanos sunitas, confrontados com a inexistência de um sistema educativo adequado e sem perspetivas para o futuro, o que faz com que os jovens procurem validação, poder e respeito nos grupos terroristas mais violentos.

ZAP