Foi feita mais investigação sobre acupunctura do que acerca de qualquer outro tipo de medicina alternativa, mas os resultados desses milhares de estudos apontam conclusivamente para o facto de que a acupunctura, na pior das hipóteses, é completamente ineficaz – e, na melhor das hipóteses, não é mais eficaz do que um placebo.

Espantosamente, o benefício da acupunctura é tão pobre que, com a abundância de estudos feitos – e mesmo em comparação com nenhum tratamento – as suas vantagens são praticamente impossíveis de se perceber.

Então por que é que tantas pessoas ainda acreditam tanto nessa terapia?

O farmacologista britânico David Colquhoun, autor de um artigo publicado na revista Anesthesia & Analgesia sobre as provas científicas encontradas até agora contra a acupunctura, não compreende a fé na terapia.

“Seguramente, perante uma tal acumulação de resultados negativos, qualquer tratamento convencional teria sido proibido ou retirado do mercado”, comenta Colquhoun.

Os defensores da acupunctura, introduzida na Coreia em 541, alegam que é uma prática médica antiga, refinada e reverenciada há milhares de anos.

Mas, embora seja de facto uma prática milenar, a acupunctura esteve em declínio durante séculos. Em 1822, foi mesmo proibida na Academia Médica Imperial da China pelo imperador Dao Guang.

O ressurgimento da acupunctura aconteceu apenas em 1946, pela mão do líder da Revolução Chinesa, o Presidente Mao Tsé-Tung.

Perante o crescimento exponencial de uma população chinesa com falta de cuidados médicos básicos, Mao sentiu que seria demasiado dispendioso dar a milhões de camponeses pobres acesso à medicina ocidental, e proclamou a acupunctura como a “Jóia da China

Mao chegou a afirmar que, pessoalmente, não acreditava na acupunctura, mas que tinha que promover a medicina chinesa – seguramente também, pela relação custo-eficácia de um tratamento que apenas precisa de uma agulha.

Nas últimas décadas, e apesar da ausência de resultados científicos que sustentem os seus benefícios, a acupunctura tem ganho adeptos – em particular aproveitando a desconfiança das populações, muitas vezes com boas razões, em relação à medicina tradicional.

Segundo Colquhoun, muitos doentes pensam que o benefício do efeito placebo é melhor que nada –  e talvez tenham um pouco de razão.

De facto, só recentemente a ciência começou a compreender esse poderoso efeito, que funciona mesmo quando a pessoa está plenamente consciente de que a intervenção é apenas um placebo.

E segundo os especialistas em medicina moderna, todos os medicamentos envolvem algum tipo de efeito placebo.

Mas, segundo a comunidade médica, é por isso mesmo que, para ser aprovado, um verdadeiro medicamento não deve ser apenas melhor do que nada; tem que ser mais eficaz do que um simples placebo.

Conclusão?

“Quase todos os testes com medicinas alternativas parecem levar à conclusão de que é necessária mais investigação”, diz David Colquhoun.

“Mas depois de mais de três mil estudos, e não tendo sido possível encontrar provas consistentes, talvez seja altura de desistir”, conclui o farmacologista.

ZAP / Hypescience