Digital Domain / Columbia Pictures

Josh Lucas, Jessica Biel e Jamie Foxx contra Extreme Deep Invader em Stealth- Ameaça Silenciosa (2005)

Um sistema de pilotagem de caças baseado em Inteligência Artificial venceu dois jactos de combate pilotados por humanos numa simulação de combate.

O piloto robótico, baptizado de Alpha, usou quatro jactos virtuais para defender uma área de litoral dos dois caças pilotados por humanos – e não sofreu perdas.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, o sistema venceu também um piloto de combate da Força Aérea Americana recentemente aposentado – logo, bastante experiente.

Na simulação descrita no estudo, os dois jactos que atacavam o litoral, a “equipa azul”, tinham um sistema de armas mais poderoso que os jactos usados pelo Alpha, a “equipa vermelha”.

Mas o sistema manobrado por Inteligência Artificial conseguiu sempre livrar-se dos inimigos, depois de realizar uma série de manobras evasivas.

Um especialista em aviação afirmou que os resultados são promissores.

Adversário letal

Na investigação, os cientistas da Universidade de Cincinnati e a empresa tecnológica Psibernetix classificaram o sistema Alpha como um “adversário letal”.

Durante as simulações de combate entre o sistema de Inteligência Artificial e o piloto aposentado Gene Lee, os investigadores relatam que o piloto humano “não apenas não conseguiu uma única morte contra Alpha, como ainda foi SEMPRE derrubado pela equipa vermelha nos combates prolongados.

O Alpha usa uma forma de inteligência artificial baseada no conceito de lógica difusa, ou “fuzzy”, na qual um computador analisa uma série ampla de opções antes de tomar a decisão.

Devido ao facto de um caça produzir uma grande quantidade de dados para serem interpretados, nem sempre se torna óbvio a um piloto quais as manobras são mais vantajosas – como quando entrar em combate ou evitá-lo, ou em que momento uma arma deve ser disparada.

Sistemas que usam a lógica difusa podem analisar a importância destes dados individuais antes de tomar uma decisão mais ampla.

A grande proeza conseguida pelos investigadores com o sistema Alpha foi a capacidade de tomar essas decisões em tempo real e com a eficiência de um computador.

“Temos um sistema de inteligência artificial que parece ser capaz de lidar com o ambiente exclusivamente aéreo, é extraordinariamente dinâmico, e gere um número extraordinário de parâmetros”, explica o analista aeroespacial militar Doug Barrie.

“E aparentemente, consegue enfrentar muito bem um piloto de combate qualificado, capaz e experiente”, diz Barrie

“É como um super-campeão de xadrez perder com um computador“, conclui o analista.

Ética

Apesar do enorme entusiasmo da equipa de investigadores, Barrie lembrou à BBC que pode não ser fácil, ou simplesmente apropriado, tentar usar o Alpha em ambientes de combate na vida real.

A analista considera que se o sistema fosse realmente usado, e decidisse atacar um alvo não militar, por exemplo, os resultados poderão ser terríveis.

“A indignação do público seria imensa.”

Barrie diz no entanto que o Alpha pode ser uma excelente ferramenta de simulação de combate – ou para ajudar a desenvolver sistemas melhores para uso dos pilotos humanos.

Mas em muitas áreas da ciência, o que ontem era eticamente reprovável, hoje é prática vulgar.

ZAP / BBC